sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

BOAS FESTAS E ANO NOVO FRATERNO!



Faz da tua vida em frente à luz
Um lúcido terraço exacto e branco,
Docemente cortado
Pelo rio das noites.

Alheio o passo em tão perdida estrada
Vive, sem seres ele, o teu destino.
Inflexível assiste
À tua própria ausência.


Sophia de Mello Breyner, in Dual

PRESIDENCIAIS – O LENTE IRACUNDO


"Tudo se paga nesta terra, o bem e o mal. O mal é mais caro, naturalmente" [Céline]

A paróquia, arrefecida na sonolência pela crise da crise, está definitivamente vítima de um mestre-escola. O educador presidencial Cavaco Silva, em requintado e alucinante mascar de palavras, largou (de vez) à desfilada verbal pelas charnecas indígenas, soqueando o espantado nativo televisivo com o incipit da velha gritaria de ser lente. Em econômico-financeiras, repete o sábio dr. Cavaco.

Como o lente chibata as suas próprias palavras - que só muito depois são vertidas tecnicamente em politiquês pelo gentio manso dos jornais e, em especial, traduzidas pela soutachée imaginativa da sra. Maria João Avillez -, enquanto vai acasalando a função de ex-governante com a de presidente e ex-lente, a rosariada do ululante candidato e futuro presidente não se entende nem se pode avaliar. O dr. Cavaco é o três em um, resfolegando manuais & pasmos de adolescente.

O dr. Cavaco era em tempos aquele que nunca se enganava e jamé tinha dúvidas. Algarviadas, evidentemente! Agora, em refutação do folheto BPN & em resposta ao apoio fúnebre dado ao (des)governo do sr. Sócrates, acrescentou-lhe literariamente o catecismo moral: "é preciso nascerem duas vezes para ser mais honestos do que eu". Ao dito, o sr. Dias Loureiro deu o seu último suspiro. Amém!

Nada disto diz respeito às cabrioladas do sr. Defensor de Moura, que já se viu o que anda por ali a mitigar ao governo e o frete que faz a outros candidatos. É que o sr. Sócrates tem agentes em todas as paróquias. Tal como as despicientes agências de rating na taramelada zona Euro. Não há, portanto, qualquer acaso ou substância bizarra a recompor pelos debates. Que, aliás, ninguém de boa fé acompanha ou reverencia.

Por que o fundo da questão, a saber, será sempre perceber como é que a laboriosa providência indígena nos foi, uma vez mais, madraça & vassala. Explicar como, num único momento, decerto por um formidável e raro prodígio do éter universal, se encontraram essas duas almas gêmeas – o sr. Sócrates & o dr. Cavaco -, será sempre um fenômeno pouco luminoso, mesmo que passional seja.

Nada há mais pacífico que reservar o momento em que, vindo dos tempos de canga do antigo "oásis" do dr. Cavaco - alucinação desovada pelo economista sr. Silva -, a nossa mísera fazenda se esticou até aos nossos dias e, no seu estro, espinoteou nesta paródia (amargurada) da governação do sr. Sócrates & amigos. O resultado esteve sempre à vista, mesmo se os argumentos dos publicistas eram esforçados. O resultado está, particularmente, á vista, mesmo se o lente dr. Cavaco, pessoalmente, faça unguentos ou consulte os astros & os compadres. Toca a andar!

domingo, 19 de dezembro de 2010

O POLÍTICO


"A noite é quando uma pessoa está cansada do dia"

Aos ledores instruídos nos recatos nocturnos, aos novos que adengam na blogosfera, às meninas discretas e (im)prudentes, aos presumidos pastores dos jornais, a criados desatentos, à confraria dos snrs. Silvas, aos ilustres adegueiros Lellos & V. Lemos, aos pitorescos escrivães Sousas Tavares & J. Manuel Fernandes, à caprichosa toilette chez Helena Matos, ao sereníssimo D. Emídio Rangel, à Venerável Casa do Largo do Rato, aos discípulos do beato Augusto Santos Silva (vulgo S.S.) ... oferece-se as máximas escriptas de mestre Palmeirim, obra muy bem acabada sobre cousas notáveis do reyno de Portugal e da União.

"Quando um homem qualquer não tem de fazer, e receia por um resto de pudor passar por vadio, mete-se a político.

Ser político, em Portugal, significa falar no orçamento e não o ler; na Carta Constitucional, e não saber onde ela se vende; no poder executivo, e confundi-lo com todos os outros poderes, menos com o próprio poder executivo.

Para se ser político, precisa-se: primeiro, audácia; segundo, ignorância; terceiro, ociosidade. Com estes três predicados, a leitura de alguma folha periódica, e o conhecimento pessoal de dois ou três homens que já fossem ministros, está o político feito.

O político é geralmente um homem enfastiado e fastidioso, a quem correm mal os negócios públicos e pior ainda os domésticos (...)

A primeira cor da bandeira do político é a liberdade. Outras, conforme os tempos, crismam-se de – progresso – melhoramentos materiais - economias e moralidade. Como pedir custa pouco, o político pede tudo, até tributos bem pesados ... que não pesem a ninguém.

Por via de regra o político, no exercício das suas tendências e faculdades, corre todos os partidos, defende todas as teorias, abraça todas as opiniões, e tem a habilidade de se confessar ainda por cima coerente com as doutrinas de todos os publicistas, o que é um absurdo.

O político incorrigível é uma espécie de tabuada cronológica, indica com exactidão as datas, mas poupa-se ao incómodo de filosofar sobre a significação dos números (...)

O político tem com o perdigueiro a analogia de farejar e levantar a caça. Notícia sem fundamento, ou boato sem verosimilhança, nasce exclusivamente do político. É ele que justifica mais do que ninguém a frase popular fazer de um argueiro um cavaleiro. O que os franceses chamam canard e nós dizemos galga é de ordinário invenção do homem dado às evoluções e artimanhas da política. Não podendo ajeitar o mundo à sua feição e desejos, compraz-se em pôr em circulação a mentira que, correndo de boca em boca, chega a ganhar foros de verdade averiguada como tal (...)

O político endurecido nos vícios da sua profissão tem de ordinário uma roda de papalvos que o ouvem com respeito, e aplaudem com entusiasmo ...


Luís Augusto Palmeirim, Galeria de Figuras Portuguesas, P&R, 1989, pp 117-119

Boa noute ... que pretium laborum non vile.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

BOLETIM BIBLIOGRÁFICO 48 DA LIVRARIA LUIS BURNAY


Está online o Boletim 48 da Livraria de Luis Burnay [Calçada do Combro, 43-47, Lisboa], que apresenta 441 peças estimadas, procuradas e raras.

Algumas referências: Almanaque [uma das revistas culturais mais curiosas, c/ colab. de Stau Monteiro, Alexandre O’Neill, Augusto Abelaira, Vasco Pulido Valente, Aquilino Ribeiro, Manuel Mendes, etc..], 1959-61, 18 numrs / Contos Exemplares (1962), de Sophia Melo Breyner / Antologia de Poesia Erótica e Satírica [rara ed. dita do Rio de Janeiro, de contrafacção, sem as ilustrações de Cruzeiro Seixas que a acompanha], c/ pref. Natália Correia / Monografia de Paredes, por José do Barreiro, 1922 / Biographia de Remechido o celebre guerrilheiro do Algarve …, Tavira, 1892 / A Ideia de Deus, de Sampaio Bruno, 1902 / Camiliana & Varia [rev. do Circulo Camiliano], 1951-54 (compl.) / The Lusiad, por Luis de Camões [é a primeira ed. publicada em Inglaterra], 1776 / Diário de um condenado político, por João Chagas, 1894 / Os Ciganos de Portugal, por António José Coelho, 1892 / Manual Político do Cidadão Portuguez, por Trindade Coelho, 1908 / Anoiteceu no Bairro, de Natália Correia [2º livro da autora], 1946 / A Maçonaria em Portugal [obra antimaçónica], por Da Cunha Dias, 1930 / Edit de sa Majesté três-fidele le Roi de Portugal par lequel Elle abolit les Ecoles d’Hmanites des Jesuites …, Amsterdam, 1760 / Submundo, Mundo, Supramundo, pelo Visconde de Figanière [obra estimada e rara da literatura teosófica ou esotérica portuguesa, nesta sua primitiva ed. com os quadros correspondentes; Figanière fez parte da Sociedade Teosófica], 1889 / Fundação da Ordem da Visitação em Portugal [Ordem nascida para o “combate às heresias”], 1782 / Gazeta Litteraria do Porto [camiliano], 1868 / Índices Ideográfico e Onomástico d’O Instituto [import. revista de Coimbra], por J. Pinto Loureiro, 1937 / Reino Submarino, de Rui Knopfli, 1962 / A Leitura: Magazine Litterario [revista literária – completa], 1894-96, XVIII vols / Da Monarquia para a Republica, por Bernardino Machado, 1905 / Maio: International Poetry Magazine, London, 1973 [nº único desta rara revista poética, dir. Alberto de Serpa] / Mákua: Antologia Poética, 1963-64, V vols [da estimada publicações Imbondeiro] / Pierrot e Arlequim, por Almada Negreiros, 1924 / Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio, sd. (1944, 1ª ed.) / Palheiros do Litoral Centro Português, por Ernesto Veiga e Oliveira & F. Galhano, 1964 / As Mouras Encantadas …, de F. Xavier d’Ataíde, 1898 / O Barreiro Antigo e Moderno, por Armando da Silva Pais, 1963 / Portugalia (rev. Cultura …), 1925-26, VI numrs / Revista Filosófica (dir. Joaquim de Carvalho), 1951-59, XXII numrs / A Filosofia na Alcova, pelo Marquês de Sade, Afrodite, 1966 / Fidelidade (poemas), de Jorge de Sena, 1958 / Para a História da Revolução, por Teixeira de Sousa, 1912, II vols /A Tradição [rev. única publ], Coimbra, 1920 / [Manuscritos]: António Pedro [As Casas da Areia], Manuel de Arriaga, Agostinho de Campos, Joaquim Martins de Carvalho, João Chagas, Sebastião Magalhães Lima, Dom Miguel, Ramalho Ortigão, Luís Pacheco, Rafael Bordalo Pinheiro, Eça Queiroz, Oliveira Salazar.

A consultar online

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

LIU XIAOBO – "I HAVE NO ENEMIES …"


"... My dear, with your love I can calmly face my impending trial, having no regrets about the choices I’ve made and optimistically awaiting tomorrow. I look forward to [the day] when my country is a land with freedom of expression, where the speech of every citizen will be treated equally well; where different values, ideas, beliefs, and political views . . . can both compete with each other and peacefully coexist; where both majority and minority views will be equally guaranteed, and where the political views that differ from those currently in power, in particular, will be fully respected and protected; where all political views will spread out under the sun for people to choose from, where every citizen can state political views without fear, and where no one can under any circumstances suffer political persecution for voicing divergent political views. I hope that I will be the last victim of China’s endless literary inquisitions and that from now on no one will be incriminated because of speech.

Freedom of expression is the foundation of human rights, the source of humanity, and the mother of truth. To strangle freedom of speech is to trample on human rights, stifle humanity, and suppress truth ..."

in I have No Enemies: My Final Statement

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

WIKILEAKS - ROTEIRO


Mass-mirroring Wikileaks / Wikileaks - the salient point / How Wikileaks has woken up journalism [Emily Bell] / Julian Assange and the Wikileaks agenda / WikiLeaks: substituto do jornalismo investigativo? / O Homem Mais Perigoso do Ciberespaço [Rolling Stone] / Suspicions abound that Wikileaks is part of U.S. cyber-warfare operations / Wikileaks e liberdade de informação [Blasfémias Blog] / Estudantes são advertidos sobre WikiLeaks / State Department To Columbia University Students: DO NOT Discuss WikiLeaks On Facebook, Twitter / Revealed: Assange ‘rape’ accuser linked to notorious CIA operative / Julian Assange’s EgoLeaks [Victor Davis Hanson – National Review] / Piratas vingadores e espiões em diligência [Umberto Eco - Liberation] / Natalia Viana [Blog] / Hackers derrubam sites que atuaram contra o WikiLeaks [Último Segundo] / Wikileaks: Stop Us? You'll Have to Shut Down the Web [ABCNews] / Após prisão do criador do site, hackers atacam "inimigos" do WikiLeaks [Folha] / Operation Payback cripples MasterCard site in revenge for WikiLeaks ban [Guardian] / WikiLeaks: Who are the hackers behind Operation Payback? [Guardian] / Amazon and WikiLeaks - Online Speech is Only as Strong as the Weakest Intermediary / Operation Payback [Twitter] / Anonymous (group) / Behind The Scenes at Anonymous’ Operation Payback / Dark forces at work to take Julian Assange to US, says lawyer [London Evening] / US embassy cables: browse the database [Guardian] / Why WikiLeaks Is Good for America [Wired] / A revolução será digitalizada [Altamiro Borges] / Attack and Counter-Attack [Lachlan's Rambling] / WikiLeaks: Parem a Perseguição [Petição]

WikiLeaks: A INSUBMISSÃO


"Nós vivemos do eco das coisas e neste mundo de pernas para o ar, é ele que suscita o grito" [Karl Kraus]

O jornalismo, para exorcizar "os seus fantasmas", sempre viveu numa curiosa actividade, ou eco, de construção de uma realidade "plantada" pelos agentes do poder económico, político, cultural ou institucional. A vidinha cá fora, porém, é sempre outra. Quando prevarica, arregalando os olhos do indígena, retrocede e estagna de seguida. Sempre conformista! A manjedoura fatal, a isso obriga. O seu putativo esplendor, a existir, nunca foi mais que um elixir pingado pelo talentoso comprometimento que assume, de quando em vez, nesse administrado comércio do mensageiro e das fontes. E excita-se! A "grande prostituta" é assim, mesmo que o serviço público seja bom!

A vaidade jornalística sobre a política de informação – é certo – de vez em quando sucumbe às "gargantas fundas", numa "liberdade da inimizade" cúmplice porque direccionada. O jornalismo parecia (ou parece?) ser uma serviçal com todo o respeito. A audaciosa indisciplina está, porém, a ganhar a sua áurea, nesta curiosa "bolha ideológica" que por aí vem. Fala-se, evidentemente, da sociedade de informação global, aberta e democrática que o mundo mediático e civilizado da internet descodifica e dinamiza. Poderá ser o fenómeno da WikiLeaks o anúncio do seu começo?

Não há maior ameaça á segurança que a oficiosa insegurança transmitida pelos verdades "plantadas" pelos governos aos media e jornalistas, com base na manipulação, na mentira e do piedoso expediente à suscitação do medo colectivo, sempre à revelia da lei e dos bons costumes. Os factos imorais que levaram à invasão do Iraque, ainda estão recentes. O sr. Bush, o sr. Blair e o sr. Barroso, estão de boa saúde e, ao que parece, são sujeitos recomendáveis. As responsabilidades sobre os negócios obscuros dos bancos financeiros com instituições de regulação e os poderes públicos, que em parte conduziram à miseranda situação contra os valores da sociabilidade e da ética de estar na economia, nos governos e na vida colectiva, tardam ou nunca virão. Então, porque razão o WikiLeaks poderá ser rotulado de inimigo nº 1 pelas boticas do manual do "perfeito" cidadão, ao fornecer documentos seguros e credíveis?

Quer dizer: a imprensa de referência – NYT, Guardian, El País -, que tem feito o trabalho jornalístico de publicitação de documentos com base das fugas de informações divulgadas pelo WikiLeaks, viola presuntivamente a lei (caso do N.Y.T.) e o refractário é Julian Assange. Ameaçado como foragido, perseguido como terrorista, preso. E que dizer de algumas organizações & outros tantos serviçais que, no imprudentíssimo zelo de tudo vigiar e controlar, ostensivamente tentam bloquear a plataforma WikiLeaks, atacando a liberdade de expressão na internet, a essência da própria rede? Será que chegou a hora da "esperada" legislação para o controlo totalitário da rede?

Até lá - para não sair da paróquia -, mesmo que os nossos jornais sejam de um provincianismo admirável e de um servilismo manhoso; apesar das palavras escolásticas, feitas de um reaccionarismo comovente, por um qualquer José Manuel Fernandes; ou da singularidade interrogativa deste nerd das ideologias ou resfolegado profile das tecnologias, a rede de activistas em defesa da liberdade de expressão e contra a censura da internet, esse o movimento global contra a submissão, manter-se-á. A batalha começou! Assim seja!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

FERNANDO PESSOA – “HERE LIES THE OTHER PART”



"Atapetemos a vida / Contra nós e contra o mundo ..."

"Todos nós, que sonhamos e pensamos, somos ajudantes e guarda-livros num armazém de fazendas, ou de outra qualquer fazenda em uma Baixa qualquer. Escrituramos e perdemos; somamos e passamos; fechamos o balanço e o saldo invisível é sempre contra nós"

"A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos"

"Há quanto tempo, Portugal, há quanto
Vivemos separados! Ah!, mas a alma,
Esta alma incerta, nunca forte ou calma,
Não se distrai de ti, nem bem nem tanto"

"O drama da civilização na Europa – o conflito entre a Inteligência e a Ordem, entre o Espírito e a Matéria, entre a Grécia e Roma"

"O que é misterioso é individual. Basta para o ser que não haja palavras para o dizer; é incomunicável, portanto. Gorgias já dizia: não se pode, por sua natureza, comunicar ..."

"Os esotéricos percebem a origem das coisas segundo a sua representabilidade do mistério para a alma humana. Os herméticos fora já de toda a compreensibilidade. Vêem não já os símbolos mas as coisas. Para os gnósticos ainda a verdade aparece no seu símbolo vivo, não morto (como para os exotéricos). Para os herméticos é a verdade pura que é revelada"

"Esta frase é para quem a entende: a sublimação é pelo mercúrio. Toda a iniciação está nisto
Vertical, vontade
Horizontal, inteligência
Círculo, emoção"

"Para todos, quantos queiram mais da vida que o que ela é em si mesma, a regra é aquela que, em um dos seus modos, os três graus maçónicos simbolizam. Entramos aprendizes pelo sofrimento, passamos companheiros pelo propósito, somos levantados Mestres pelo sacrifício. De outro modo se não chega, na arte como na vida, à Cadeira, que é o Trono, de Salomão"

"A forma régia ‘saber é poder’ não deve ser entendida relativa, senão absolutamente. Conhecer uma coisa, é, de facto, possuí-la”

terça-feira, 30 de novembro de 2010

BOA NOITE SR. FERNANDO PESSOA!


[Fernando Pessoa m. 30 de Novembro de 1935]

"Sim, está tudo certo.
Está tudo perfeitamente certo.
O pior é que está tudo errado
"

"... nós esperamos sempre pela voz do comando (...) sofremos da doença da Autoridade – acatar criaturas que ninguém sabe porque são acatadas, citar nomes que nenhuma valorização objectiva autentica como citáveis, seguir chefes que nenhum gesto de competência nomeou para responsabilidades da acção (...) nós compensamos a nossa rígida disciplina fundamentalmente por uma indisciplina superficial, de crianças que brincam à vida. Refilamos só de palavras. Dizemos mal só às escondidas. E somos invejosos, grosseiros e bárbaros, de nosso verdadeiro feitio, porque tais são as qualidades de toda a criatura que a disciplina moeu, em que a individualidade se atrofiou..."

[A Exportação Portuguesa] – "A exportação portuguesa é, em relação ao que poderia ser ou tornar-se, pequena, mal orientada, e mal coordenada. Nem há concorrência interna, o que significaria actividade intensa entre exportadores individuais, nem cooperação nacional entre eles. Não há estudo científico dos mercados, nem adaptação consciente, a cada um deles, dos produtos que podemos exportar.

Para a transformação e melhoria de este estado de coisas não há que pedir uma acção propriamente dita, nem ao Estado, nem aos exportadores individuais. Quer o estado actual, quer os seus tentáculos consulares e diplomáticos, são elementos de apoio e de informação – mais nada...
"

[Conselhos Fiscais] – "Escolhem-se homens sérios para os Conselhos Fiscais. Mas os homens sérios podem ser estúpidos – há muitos; os homens sérios podem ser confiados – há muitíssimos; os homens sérios podem ser desleixados – há imensos; e o accionista perde o seu dinheiro, sem que os homens muito sérios deixem de ser muito sérios, o que é uma consolação insuficiente para quem perdeu o dinheiro que fiou da fiscalização incompetente, senão inexistente dos homens de muita seriedade..."

Boa noite sr. Fernando Pessoa!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

CONTRA A MANSIDÃO, PELA CIDADANIA!


"Este rosto com que amamos, com que morremos, não é nosso; nem estas cicatrizes frescas todas as manhãs, nem estas palavras que envelhecem no curto espaço de um dia (…) Só a custo, perigosamente, os nossos sonhos largam a pele e aparecem à luz diurna e implacável. A nossa miséria vive entre as quatro paredes, cada vez mais apertadas, do nosso desespero. E essa miséria, ela sim verdadeiramente nossa, não encontra maneira de estoirar as paredes (…)

Há mortos nas sepulturas muito mais presentes na vida do que se julga e gente que nunca escreveu uma linha que fez mais pela palavra que toda uma geração de escritores …
" [António José Forte]

"Do cadáver dum homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro – nunca sairá um escavo" [M.C.V.]

domingo, 21 de novembro de 2010

I REPÚBLICA – LEILÃO DE MANUSCRITOS DIA 22 NOVEMBRO


Já AQUI referimos o LEILÃO de Manuscritos, Livros, Caricaturas, Fotografia e Gravura, a realizar nos próximos dias 22, 23 e 24 de Novembro pela Artes e Letras (Leilões), onde se encontram bem representados livros e manuscritos de referência para uma bibliografia republicana.

[Ms.] ALGUMAS ANOTAÇÕES CURIOSAS: MANUSCRITOS de Adelino da Palma Carlos, Afonso Costa [correspondência familiar], Afonso Lopes Vieira, Agostinho Fortes, Alberto Bramão, Albertina Paraíso [feminista], Alberto Pimentel, Alberto Xavier, Albino Forjaz Sampaio, Alfredo Pimenta, Álvaro Pinheiro Chagas, Ana Carbia Bernal [maçon e feminista], Ana Castro Osório, Anselmo Ferraz de Carvalho [de imp. Conimbricense], António Baião, António Cabral, António Cabreira, António de Paiva Gomes [ex-ministro das Finanças (1919) e das Colónias, membro do PRP, fundou o jornal "O Incondicional" em Lourenço Marques, maçon com n.s. Câmara Pestana], António França Borges [jornalista, director da Vanguarda, País, Lanterna e a Pátria, fundador e director do combatente jornal O Mundo, antigo deputado pelo PRP, maçon da Loja Montanha, com n.s. Fraternidade, etc., Venerável da Loja Futuro], António Sá Nogueira, António Sérgio, António Zeferino Cândido, Aquilino Ribeiro, Armando Agatão Lança [militar republicano, deputado, governador-civil de Lisboa, maçon da Loja Revolta de Coimbra, com n.s. Robespierre], Augusto Casimiro, Augusto José da Cunha [monárquico que se inscreve no PRP, em 1907], Azevedo Neves [médico, ministro comércio no gov. Sidónio Pais, maçon iniciado no triângulo nº159 (Amadora), com n.s. Justitia], Bernardino Machado … [CONTINUA, ler TUDO no Almanaque Republicano]

ver CATÁLOGO AQUI

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

CUSTO E PREÇO DE UM MEDÍOCRE


"Senhores leitores: encarregaram-me de vos dizer que a direcção protectora decidiu proibir que vos fosse mostrado quanto custa um medíocre, porque o inquérito, feito por sujeito competente, tinha o grave defeito de mostrar o medíocre a nu, cena eventualmente chocante para a estabilização da bolsa de mercadorias. Em seu lugar, prometemos redescobrir o Brasil, a bem da mediocração

[Mário Henrique Leiria?] "Bisturi", p.13, in Jornal AQUI, Ano I, nº2, Setembro de 1976

Bom lanche!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

I REPÚBLICA – LEILÃO DE MANUSCRITOS, LIVROS, CARICATURA, FOTOGRAFIA E GRAVURA


LEILÃO: Manuscritos, Fotografia, Caricatura, Literatura, História, memorabilia, Gravura, Desenho, Pintura.
DIAS: 22, 23 e 24 de Novembro (21 horas)
LOCAL: Palácio da Independência (Largo de São Domingos, 11 – ao Rossio – Lisboa)
ORGANIZAÇÃO: Artes e Letras, Leilões

"... O presente leilão não podia ser mais oportuno. O seu catálogo apresenta um conjunto notável de materiais para quem queira estudar a Primeira República e a sua realização não podia vir em melhor hora ..." [António Ventura, in prefácio ao Catálogo]

No âmbito da sua actividade de leiloeira a Livraria Artes e Letras em cooperação com a Livraria Olisipo, levam a efeito um importante leilão de livros, manuscritos, fotografia, desenho e gravura. Destacam-se, do conjunto de 1175 lotes, o importante núcleo de manuscritos e de entre eles os acervos de Bernardino Machado, Afonso Costa, e Ana de Castro Osório, bem como muitos outros documentos avulsos, correspondência, fotografias, autógrafos e outros documentos de grande significado político para a história da 1.ª República. Ainda no domínio dos originais manuscritos, destacamos um códice atribuído a João Baptista Lavanha 'Taboas do Lvgar do Sol' datado de 1598 documento iluminado da maior importância para a história da navegação e Descobrimentos.

Também os livros impressos estão representados em número e qualidade assinaláveis fazem parte do catálogo obras como a primeira edição de 'Espingarda Perfeita' (1718) e do monumental 'Vocabulario Portuguez Latino' (1721) em 10 volumes, de Raphael Bluteau. A modernidade está representada com peças chave da cultura portuguesa, a edição original de 'Mensagem' (1934) de Fernando Pessoa ou uma fotografia em grande formato (82x54 cm) de Natália Correia, são algumas. Aliás a fotografia está fortemente representada desde o seu início com alguns 'daguerrotipos' , passando por um interessante conjunto de fotografias de interesse etnográfico da Índia do séc. XIX e de Moçambique nos anos 30 do séc. XX, uma impressionante colecção de fotografias eróticas do inicio do séc. XX e muitas outras avulsas ou em álbum.

Também as artes gráficas estão presentes no leilão com, algumas caricaturas (Valença), aguarela (D. Amélia), desenhos, pintura e gravura.

As peças podem ser vistas na exposição a levar a cabo antes e durante os dias do Leilão nos dias 21, 22, 23 e 24 de Novembro das 15, às 20 horas no Palácio da Independência, Largo de S. Domingos, 11 (ao Rossio) …
” [via Artes e Letras, Leiloeira]

Consultar Catálogo AQUI.

*publicado tb no Almanaque Republicano

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

VENDA LIVROS ESPECIAIS – SÁBADO NA LIVRARIA CAMPOS TRINDADE


A estimada Livraria Campos TrindadeRua do Alecrim, nº44, Lisboa – vai realizar no próximo dia 30 de Outubro (Sábado), a partir das 11 horas e ao longo do dia, uma VENDA DE LIVROS ESPECIAIS, acervo curioso e de rara oportunidade.

A cargo de Bernardo Trindade, que sabe receber sempre bem no ambiente da sua Livraria, esta VENDA DE LIVROS ESPECIAIS merece a sua atenção e presença.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

NOVOS FEITORES


"Nenhuma sandwiche é completa!" [J.M.J.]

Estávamos em amena orquestração gastronómica – sobre o jantar divino de véspera na "A Travessa", em Benfica [graças sr. Vítor] -, isto é, em respeitável gozo evocativo, quando vislumbramos (por mero escapismo televisivo) um trio de admiráveis politólogos na TVI 24, pelas nove e picos da noute. Estes novos feitores, cuja taxinomia está para a cidadania como o mordomo está para o seu amo, são afrontosos na sua rusticidade, virtuosos nos maus costumes, ignorantes nas palavras de ordem. O comício dessa gente é sempre uma bricolage pouco cuidada.

O trio de rapazes que desse modo flutuava na TVI 24 manteve uma narrativa em nada diferente dos seus poderosíssimos irmãos mais velhos – o fatal Sousa Tavares (Filho), o inenarrável Metello, o Cantigas do ISEG, o vómito Rangel, o inefável Pedro Guerreiro, o desopilado Pedro Marques Lopes ou o medicinante estoriador Rui Ramos. Aqueles que nos brindam cada semana com alguns truques labiais & outras baixelas políticas, para que lhes paguemos o dízimo. Os novos feitores rogam como os velhos e aceites comentadores. Afinal, os modernos correspondentes não são mais que uma contrafação obsequiosa dos primevos. A dupla Sócrates & Coelho está de boa saúde. Não estão, portanto, desamparados.

Do trio de politólogos de serviço à TVI 24 – dois rapazes e uma senhora -, o zelo maior pertenceu ao conozudo José Bourdain. O presuntivo rapaz, que é cristão-novo do CDS, escriba do Diabo e nas horas vagas mestral em política comparada, apareceu burlescamente via TVI como politólogo. O expediente idealizado pelos da TVI é imaginativo: coloca docemente um atormentado candidato do CDS como expert em ladrilhos sócio-politicos, como poderia (espiritualmente) fantasiar o sr. Emídio Rangel como director do ex-SNI. O que seria de todo impossível! Como se sabe.

O rapaz do CDS praticou o insulto a qualquer inteligência conhecida, foi estéril em "política comparada" – não nos fatigou com a sua conhecida fábula de vivermos numa "bandalheira", nunca nos ciciou da necessidade do fim da Presidência da República ou se referiu à sua patrulha campónia contra as auto-estradas – e muito industrioso em estatística, que não pratica nem conhece. Os queixumes do rapaz explicam (a descoberto) como se escorcha bem os indígenas, sem razão suficiente ou elegância critica. Mais: na sua labareda politóloga, sempre muito suspirosa, vilipendiou a classe docente, apesar de não ser original, porquanto o sr. Sousa Tavares (Filho) é muito mais babélico. E desenvolto!

O rapaz do CDS, tornado politólogo pela TVI, arremessou umas 25 horas de trabalho semanal para os professores, já se vê mondadas da conhecida colectânea estatística do sr. Sócrates. Curiosamente estes filarmónicos da sra. Lurdes Rodrigues jamais desembrulham da escrivaninha as horas lectivas de leccionação dos lentes universitários, quando se trata de asnear amabilidades ou lançar testemunhos. Percebe-se porque é assim: o abono corporativo deve ser judiciosamente garantido. Os mestrados não podem deixar de ser esses hortos (perfumados) da escolástica, que justificam perversos silêncios, entre a falta de liberdade, estudo e trabalho efectivo.

Como diria o nosso Gonçalo Trancoso: "o néscio calado por sábio é contado". Confere!

domingo, 17 de outubro de 2010

ELVIS COSTELLO





ELVIS COSTELLO - JIMMIE STANDING IN THE RAIN

"Third-Class ticket in his pocket
Punching out the shadows underneath the sockets
Tweed coat turned up against the fog

Slow coaches rolling o'er the moor
Between the very memory
And approaches of war

Stale bread curling on a luncheon counter
Loose change lonely, not the right amount

Forgotten Man of an indifferent nation
Waiting on a platform at a Lancashire station
Somebody's calling you again
The sky is falling
Jimmie's standing in the rain ...
"

in Elvis Costello - National Ransom

ONTEM … ESTIVEMOS ASSIM!


A pen do sr. Teixeira dos Santos – e não é a que dizem por ai (cruzes canhoto) – não passa de um prodígio de mérito contabilístico. A verdade é que a improvisação feita é mesmo uma obra de arte. Fala de si para si (nota musical, off course). Aliás o sábio merceeiro declara que o O.E. "não compromete" o "nível adequado de protecção social". Adequado, notem bem! O sereníssimo ministro, além de reafirmar que "não viola a lei" (não dizendo a qual se refere), assume que não vai haver recessão no próximo ano socrático. O milagre das rosas virá via exportações. E como passe de mágica, o anedótico ministro, vai aparecendo em tudo o que é meios de comunicação, fazendo a apologética para uso do vulgo. O jornal Público já marcou consulta. Os outros estão na fila para divulgar o assumido catecismo do inflado ministro: liberalismo para os ricos, neoliberalismo para o povo. O dumping social - danken Frau Merkel, gracias sr. Durão Barroso, tásse bem dr. Cavaco – está popular. Proibido voltar atrás. O dr. Cantigas, fiscal do ISEG, já o disse. Podemos ir para a cama descansados.

Hoje estivemos ... assim. Inofensivos, voluptuosos na sedução literária, inteligentes nos números, infiltrados de espírito liberal. O constitucionalismo societário não passará! O sr. Henrique Medina Carreira já fez as contas da nossa felicidade. Está tudo legitimado. Os indígenas agadecem!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

REPOSITÓRIO DE CURIOSIDADES


- "Democracy is two wolves and a sheep voting what's for dinner. Freedom is a well-armed lamb contesting the vote." [Ben Franklin]

- Alexandre Quintanilha (Filho) confessou ao SOL [24/12/2010] uma indescritível alegria pela política de educação e saúde do sr. Sócrates. Em especial, tece laudatórios agradecimentos à sociologia da educação da Maria Lurdes Rodrigues, essa mártir do ensino. Alexandre Quintanilha (Filho), em prece íntima, mas musculada, replica (portanto) que "não tem qualquer dúvida em votar em Sócrates". Alexandre Quintanilha (Filho), que desconhece o que é o actual ensino e o que lá se faz, é de uma frivolidade espalhafatosa. Tantos anos em S. Francisco, como antes em Joanesburgo (do apartheid), não explicam este milagre de indulgência. Nem qualquer rebeldia!

- "Banqueiros já deixaram Terreiro do Paço", eis a homilia (de muita unção) do jornal Público. Avante trabalhadores! É a Hora! diria Fernando Pessoa. Calma! anuncia o recreativo sr. João Proença, no salão de festas da UGT. Muita calma!

- Manuel Sebastião, o amanuense sr. da Autoridade da Concorrência (AdC), após porfiada & graciosa investigação da (curiosa) convergência de preços nas gasolineiras, ratinhou esta sábia cogitação: "Copiar os preços não constitui qualquer ilícito". Logo vimos que a coisa não ia com palavrões.

- Consta que o dr. Almeida Santos abriu o seu coração de democrata e em rasgado entusiasmo gritou em pleno Largo do Rato: "o governo tem que sofrer as crises como o povo as sofre". Comovido pela declamação, sr. Francisco Assis teve uma apoplexia. Narciso Miranda, como de costume, amuou!

- O sr. general Eanes – representante indígena da velha caserna -, depois de em obra apreciável compor a sua última alegoria, "Sociedade civil e poder político em Portugal" - em preito de homenagem à literatura pátria -, manifestou há dias na RTP1 (na casa da sra. Fátima Campos Ferreira) a razão do seu apurado estudo sobre a cultura política e cívica paroquial. O general Eanes, em "realizante cidadania" e elevada teorização, considerou que a dita "sociedade civil" [entidade conceptual que é uma alfândega de sabedoria] não soube socorrer energicamente os infames ataques feitos à politica de saúde do sr. Correia de Campos e à douta doutrina educacional da "mãe de água" Lurdes Rodrigues. O sr general não viu a dita sociedade civil defender esses dois meninos de coro da governação. O sr. Eanes anda muito vigoroso conceptualmente. E ressuscitado. Cautela!

- Graciosamente, informamos os nossos leitores que não será ainda amanhã que o sr. Miguel Sousa Tavares desovará na sua coluna do Expresso as suas amáveis reprimendas aos professores, médicos, magistrados, funcionários públicos e outras classes ociosas. O sr. Sousa Tavares embocetou-se. Mas o cardápio segue dentro de dias, num folheto do Expresso, perto de si. Não perdem pela demora!

Boa janta!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A IGNÓBIL PORCARIA


"Don't cry for me, sr. Sócrates”"

Depois de rápida e fugitiva converseta sobre o futebol paroquial, o indígena (o bom) faz agora a sua extraordinária aposta sobre a magna questão, a saber: deixa ou não, o farcista sr. Passos Coelho, passar o Orçamento de Estado do inútil sr. Sócrates & amigos? A confissão do indígena (o bom), mestre em contemplações transformistas, é de engolida camaradagem e prenhe de sublime consciência patriótica. Como sempre!

Os do horto do PSD – sempre com esses estéreis jovens laranjinhas no vestíbulo – garganteiam as verdades reveladas pelo sumido (quanto discreto) eng. Ângelo Correia, maître à penser do colégio liberal. O infalabilismo do desolado Miguel Relvas – consultor estrugido para os media – marca o compasso da claque. Essa geração, a limpar a testada aos veneráveis incompetentes d'antanho e depois de ter andado com o sr. Sócrates & amigos ao colo, aposta no Não ao orçamento. Os fervorosos liberais do sr. Coelho querem (agora!) a vassourada. Outros não vão nessa fancaria. A sra. Ferreira Leite – da outrora saudosa Mercearia Leite, Corte & Deficit – já viu a tragédia disto tudo. O dr. Pacheco Pereira, confirma!

O indígena (o bom), depois do violento choque que herdou desse cantador de feira e incompetente Teixeira dos Santos, entende ser, agora, a situação escabrosa e a prelecção dos notáveis inacreditável. Mais, perante a outrora devoção do dr. Cavaco ao grémio do sr. Sócrates & amigos - com apoio resplandecente dos talentosos economistas pátrios – o gentio não vibra, em demasia, pela audácia da sua pirueta. Afinal o inútil sr. Sócrates há muito que devia ter sido despedido, por justa causa. Agora – dizem – nem o sr. Mourinho nos salva, seja lá do que for.

Os do horto do Largo do Rato pintaram em 15 anos, de absoluto miserabilismo económico e de alardeada ditadura intelectual (o sr. Santos Silva, ainda existe e escreve – pasme-se!), a chalaça do "oásis", uma paróquia imitada do cavaquismo, esse deslumbrante salto histórico e civilizacional. Asseguram aos contribuintes os da seita dos economistas. Manifestaram em jornais, Tv’s e blogs, em estilo de corte, os bardos que vivem à conta do Estado e de quem trabalha. Tais alucinados, com o sr. Teixeira dos Santos em vertiginosa incompetência económica à cabeça, numa criação muito clássica e redentora, massacram os paroquianos com a chalaça da crise mundial, coisa nunca vista, misteriosa e de maus costumes.

Venceram-nos pela fadiga. Nunca a prisão ou uns bons açoites nos vai limpar a alma. É tarde! A ignóbil porcaria será sempre esse negócio escuro, essa agonia de nunca sermos civilizados, fraternos, livres. O obscurantismo será sempre a nossa tragédia. Nós aqui perdidos a Ocidente da Europa.

O MINISTRO IDEAL



"O ministro sustentava-se no poder perfeitamente, como em lago dormente o barco bem lastrado, e se appareciam alguns signaes de tempestade, diziam as más línguas que ["O Ministro Ideal"] alijava alguns cabedaes, e o perigo sempre se conjurava. Vários jornaes que tinham começado a fazer-lhe guerra, haviam-se calado como por encanto ..."

in, "Ministro Ideal", de Arthur Lobo d’Avila, Parceria A. M. Pereira, Lisboa, 1907.

Boa Tarde!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

BIBLIOTECA DE JOÃO PAULO DE ABREU E LIMA - LEILÃO HOJE


Leilão da Biblioteca de João Paulo Abreu e Lima e outras proveniências
LOCAL: Palácio da Independência (Largo de S. Domingos, 11 – ao Rossio, Lisboa)
ORGANIZAÇÃO: Artes e Letras Leilões [José F. Vicente / Luís Gomes]

DIA 11 OUTUBRO: 1.ª sessão lotes 1 a 465 – 21horas
DIA 12 OUTUBRO: 2.ª sessão lotes 466 a 930 – 21horas
DIA 13 OUTUBRO: 3.ª sessão lotes 931 a 1391 – 21horas

A novíssima "Leiloeira Artes e Letras" abre à venda neste seu primeiro leilão a "Biblioteca de João Paulo Abreu e Lima e outras proveniências", um excepcional acervo de livros a leiloar sobre Heráldica, Genealogia, Olisipografia, Literatura, História e Gravuras.

Sob organização de dois dos mais estimados livreiros-antiquários, José Vicente (da Olisipo) e Luís Gomes (da Artes & Letras), de grande cultura e competência, as três sessões a realizar terão decerto êxito entre os amantes das letras e demais bibliófilos.

Ver CATÁLOGO ONLINE AQUI

terça-feira, 5 de outubro de 2010

QUE VIVA A REPÚBLICA!



"... Governar é fazer, dia a dia, a equação dos costumes. É traduzir em leis a dinâmica viva das almas e dos interesses. As questões económicas ou religiosas têm dentro da filosofia uma solução ideal, e dentro da política e do governo uma solução concreta e transitória. Não se inventam nações, imaginando códigos. Os códigos estão para as nações como os vestidos para os corpos. Quando a estatura cresce amplia-se o vestido, alarga-se o direito. A Pátria Portuguesa não cabe dentro da monarquia, por culpa da monarquia. Aspira à justiça e dão-lhe burlas, aspira à ciência e dão-lhe trevas, aspira à honestidade e dão-lhe roubos, aspira ao bem-estar e dão-lhe fome, aspira à extinta luz, à extinta glória, e dão-lhe infâmias e sarcasmos, inquisições e tiranias.

Hoje só pode salvar-se por si própria, por um acto de grandeza moral e de heroísmo colectivo. Sem força física, vive-se ainda. Mas, quando se morre mortalmente, acaba-se de vez.

Salvemo-nos por uma República, mas uma República Nacional fundada na ordem e no direito, no trabalho e no amor, na liberdade e na harmonia. Que viva a República, para que viva a Pátria de nós todos!
"

Guerra Junqueiro, Mensagem de G. Junqueiro ao Congresso do Partido Republicano, em 25 de Abril de 1908 [in, Vida Mundial, nº1634, 2/10/1970]

VIVA A REPÚBLICA!
Saúde e Fraternidade

via ALMANAQUE REPUBLICANO

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

FADOS DA REPÚBLICA



ESPECTÁCULO APRESENTAÇÃO - FADOS DA REPÚBLICA
DIA: 29 de Setembro (18,30 horas)
LOCAL: Fundação Mário Soares - integrada na Exposição "Enfim a República!"


FADOS DA REPÚBLICA - NEVOEIRO


FADOS DA REPÚBLICA - VIVE POBRE, O POBRE OP'RÁRIO

"O Fado é a canção de um povo, de uma alma, de uma história... Ao longo de todas as tristezas e alegrias de um país, de uma vida, o Fado cantou saudades, evocou desejos, criticou pensamentos e embelezou Portugal com uma cultura única.

Este espectáculo procura recriar Fados e poemas situados na queda da Monarquia fazendo um enquadramento histórico e cultural. Traz-se assim aos nossos dias a voz dos poetas que marcaram uma época acompanhados com uma linguagem musical portuguesa, orgânica, mas moderna mostrando assim os caminhos que a República abriu quer a nível de mentalidades, de vivências e de paixões
" [ler AQUI]

"Fados da República é um projecto de fados contemporâneos, mas com recolha de textos da altura de implantação da República (1910, com textos de Fernando Pessoa, Luz da Matta, Adelino de Sousa, António Miguel Couto Viana, letristas populares anónimos).
O projecto pressupõe a edição de um disco com 12 músicas seguido de digressão nacional com espectáculos (...)
" [ler MAIS AQUI]

via ALMANAQUE REPUBLICANO

domingo, 26 de setembro de 2010

ANTÓNIO TELMO 1927-2010


"O ocultismo (hoje, prefere-se dizer ‘esoterismo’) não é evidentemente aquilo que nos livros se expõe de ocultismo" [A. Telmo, in Gramática Secreta da Língua Portuguesa]

Na manhã do passado dia 21 de Agosto de 2010 morreu [ou de novo recomeçou, porque "a morte não mata" – cf. Roso de Luna] António Telmo [n. 2 de Maio de 1927], cidadão humilíssimo, professor e investigador iluminante, um subversivo deste "reino da quantidade" [Guénon] a cair de tédio e um "cavaleiro do amor" [Sampaio Bruno] indiscutível do destino e espiritualidade de Portugal. Até sempre!

BIBLIOGRAFIA: Arte Poética, Lisboa, Guimarães, 1963 / História Secreta de Portugal, Lisboa, Vega, 1977 / Gramática secreta da língua portuguesa, Lisboa, Guimarães, 1981 / Desembarque dos Maniqueus na Ilha de Camões, Lisboa, Guimarães, 1982 / Filosofia e Kabbalah, Lisboa, Guimarães, 1989 / O Bateleur, Lisboa, Átrio, 1992 / Horóscopo de Portugal, Lisboa, Guimarães, 1997 / Contos, Lisboa, Aríon, 1999 / O Mistério de Portugal na História e n'Os Lusíadas, Lisboa, Ésquilo, 2004 / Viagem a Granada, Lisboa, Fundação Lusíada, 2005 / Contos Secretos, Chaves, Tartaruga, 2007 / A Hora de Anjos Haver [poemas], Porto, 2007 / [co-autor] A Verdade do Amor, seguido de Adoração: Cânticos de amor, de Leonardo Coimbra, Lisboa, Zéfiro, 2008 / Congeminações de um neopitagórico, Lisboa, Zéfiro, 2009 / A Aventura Maçónica, Lisboa, Zéfiro, 2010 / Luís de Camões, Estremoz, Al-Barzakh, 2010 / O Portugal de António Telmo, Lisboa, Guimarães, 2010.

LOCAIS: Entrevista com António Telmo [por Américo Rodrigues, para a revista Praça Velha] / À Conversa com António Telmo [Lusophia] / Adeus António Telmo! [Évora Oculta] / As Duas Colunas [António Telmo] / António Telmo ... homenagem na Biblioteca Nacional [Jornal de Notícias] / Filosofia e Kabbalah [Recensão crítica ao livro de A. Telmo, por António Cândido Franco]

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

LIBRARIAN



"Quando era novo", disse o tio Guilherme ao filho,
"Receava que isso fizesse mal ao miolo.
Mas agora, que estou bem seguro que não tenho nenhum,
Faço o pino vezes sem conta, sabes?"


[Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll]

terça-feira, 21 de setembro de 2010

DE REGRESSO – NADA A DECLARAR!


"Não tive tempo de ser mais breve" [Pe. António Vieira, in História do Futuro]

Por não chegarmos a tempo (mérito nosso) desta apostada monomania indígena do diseur elogiativo e ululante do disparate nacional, com que se tornou esta paróquia do sr. Silva, Sócrates & Coelho, Lda, generosamente posta em lume raso pela brigada do costume, pedimos a V. bem-aventurança e candura. Compreendam: "em presença da mulher amada é aconselhável colher nuvens" [Cadavre exquis – como é evidente].

Nada, pois, a declarar! E já não é o nada que nos madura a vidinha (nós para aqui a pensar no futuro), mas tão só a contemplação da ruína a que tudo isto chegou. Mesmo que fatalmente esperada, o espectáculo insolente das carpideiras do regime – como essas endechas postas a correr por inúteis ex-governantes nas Tv's, entre os quais pontifica o pasmoso Silva Lopes – torna tudo de uma soberba inqualificável e sem remédio.

Assistir ao que se vai dizendo da fazenda pública, como se a crise gravíssima com que se deparam as democracias ocidentais não permanecesse ou a subsistir se resolvesse – sempre com a cegueira habitual do correr para a frente que em todos habita por inércia e falta de coragem política -, com o fim do bem-estar económico e social de mais de 60 anos e o correspondente retrocesso e derrocada civilizacional de um século (como todos esse exaltados e intratáveis figurões prescrevem), torna tudo inútil e irretorquível.

Que o roufenho António Costa (do D.E.) discorra sobre a charneca económica, depois de há 5 anos tecer hossanas à governação do sr. Sócrates está conforme o esperado para o pessoal doméstico; que a rincharia do citado Silva Lopes exista e persista, ou que o respigado prof. Cantiga, num turbilhão de emendas, veja a paróquia isolada do mundo e da alma económica global, é absolutamente normal ou não tivessem ambos óculos universitários; que o estremecido rapaz Nogueira Leite, agora iniciado na choça de Passos Coelho, entenda a paisagem económica como a imaginou esse lustre da lusitanidade, de nome Paulo Teixeira Pinto, não é estranho nem perturba a reedição do index liberal – as nulidades atraem-se; que os sobreditos & todos os outros paineleiros e colunistas observem a vulgata do dumping social, em que Portugal, a Europa, as Américas e o mundo livre se devam transformar numa magnificente China, com remunerações de 0,70 euros/hora e o fim do Estado Social que se seguirá, não deixa de ser uma intimidade curiosa, ou não viesse a comovida receita de sujeitos pouco habituados a trabalhar e que sempre viveram à conta dos cidadãos e dos seus impostos.

Como diria Aristóteles: consuetudo est altera natura.

Por isso, não temos nada a declarar! Vossas Excelências não têm nada a declarar?

sábado, 14 de agosto de 2010

NÃO … NUNCA … JAMÉ!


"Na luminosa tarde de Verão mergulhados,/Vagarosamente deslizamos..." [L. Carroll]

O rigor de veraneio entusiasmou-nos. Olhem só, acima, como estamos quebrantados. Caprichosos! Há, nessa frescura de espírito, uma tranquilidade que nos salva do idiotismo da paróquia e do mestre régio pátrio. Longe da graciosa silly season, que o rebanho dos colunistas esforçadamente costura na preia-mar indígena, agradecidos estamos no nosso fogoso amparo. Eis o que é veranear!

Não nos atrevemos, portanto, a ressuscitar o presente vaudeville governamental. O Freeport do sr. Procurador e do seu Vice é uma lista de inspiração curiosa, um testemunho de tal agrado & protecção do dr. Cavaco, que não ousamos adornar a didáctica jurídica com histórias tormentosas. O espectáculo pode continuar! Ou então deixemos isso para o talentoso adiantado mental Henrique Monteiro (via Expresso há 1 semana) ou para o paradoxal Sousa Tavares, o castrado escolar. Ambos fazem as delícias das lavadeiras já sem esperança de casar. Não é preciso riachos de tinta ou composições de cidadania. Já não há milagres, nem lamúrias que nos salvem desses senhores. A lista de mazelas não tem fim.

Nunca contribuiremos, portanto, para o estilo sentencioso do "bota-abaixo" (genuflexão sr. Vieira da Silva), nem sequer para a tirania dos números (esses traidores) com que nos presenteia a economia indígena do sr. Sócrates & amigos. Temos os Bessas (um deles ou todos por atacado) para nos elucidar e o dr. Metelo para nos iluminar. Para declinar o bom gosto e a honestidade intelectual desses cómicos da economia & finanças, não contem connosco. Consintam, apenas, que evoquemos (neste "cenário de guerra" à la Rui Pereira) esse ser extraordinário, esse boticário de aldeia, essa gravura imortal que é o sr. António Serrano, agricultor. Bem-haja pelas suas maquinações sobre a "lavoura" e a sua melodia sobre os fogos. Apenas não se compreende como a (bela) f. Câncio, jornalista de faca e alguidar, nas suas costumeiras dicções prosaicas ao génio do sr. Sócrates, não guarda na alma e na harmonia do verbo uma qualquer escrita épica ou poema heróico, ou uma simples ode, a esse fantástico mártir da governação. O cavalheiro merece o fragor de uns linguados. Podem crer!

Jamé mencionaremos, portanto, a distinção (ou um suspiro sequer) feito ao distintíssimo doutor-mestre-conferencista Manuel Pinho, o egrégio portuga que irá marinhar nas terras de tio Obama. Gloria in excelsis, sr. António Mexia. Depois da converseta sobre o fim das reprovações no ensino (gentileza da dra. Alçada) o caminho seguinte seria por o mestre-escola a pagar para leccionar qualquer coisinha. O que se verifica. Gracias, EDP!

E, assim, o nosso exquisito veraneio (veja-se a foto acima) terá sempre a leveza de um ganhão de campina (estamos aqui, mestre Jakim), convenientemente monologado no respeito de “braço às armas feito” [Camões, com a nossa estima] & segundo a tradição da velha (nova) União Nacional, que o “respeitinho é muito bonito” (não é?). Para já (re)começamos a ler esse livro de culto do dr. Vital e do dr. Canotilho, “a Constituição instruída do dr. Cavaco Silva”. Estamos sábios, contentes! E veraneantes!

Um beijo & um abraço (conforme o repertório).

terça-feira, 20 de julho de 2010

ALMA MATER DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA - NOVAS OBRAS DIGITALIZADAS



"Encontram-se disponíveis na página da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra um conjunto assinalável de documentos, iconografia, cartografia, livros, jornais, epistolografia, música manuscrita e impressa e manuscritos que ficaram agora em livre acesso ao grande público.

A Alma Mater, da Universidade de Coimbra, permite agora aceder também a um conjunto de documentos depositados na Biblioteca Geral (cerca de quatro mil documentos, publicados na sua maioria antes de 1940, aos quais correspondem perto de 500 mil imagens) a que somente alguns investigadores tinham acesso, mas que agora digitalizados ficam ao alcance de um clique.

Um dos conjuntos disponibilizados é a República Digital, onde é possível encontrar diversos jornais e publicações muito úteis para a História do Movimento Republicano, seja em Coimbra e no respectivo distrito. Ficaram disponíveis 41 jornais e revistas, donde se destacam o Almanach da República. Distrito de Coimbra, de 1913; Azagaia (1891-1892); o Clarim das Ruas (1897); A Corja (1915); O Dever (1908); A Evolução (1876-1877); A Evolução (1881-1882); O Grito do Povo (1910); Pátria (1906); Portugal (1896); República Portuguesa (1873); O Raio (1894); Resistência (1916-1918); O Trabalho (1870); O Ultimatum (1890); Voz do Porvir (1897).

Por outro lado, do espólio de Belisário Pimenta foram digitalizadas um conjunto de 67 negativos de fotografias que mostram a época e a região.

Ficaram também acessíveis 60 livros dos meados do século XIX a meados do século XX. Entre as obras digitalizadas destacamos: as Teses de Filosofia Natural (1876) e a Teoria Matemática das Interferências (1876), de Bernardino Machado; um caderno manuscrito de Belisário Pimenta sobre a Maçonaria; A Universidade de Coimbra (1908), de Bernardino Machado; A Questão Académica de 1907: Memórias ao correr da pena (1908-1911), de Belisário Pimenta.

Uma iniciativa que não podemos deixar de elogiar e de divulgar junto de todos aqueles que nos acompanham no interesse pela História e Cultura do nosso País"

Saúde e Fraternidade
A.A.B.M.

via ALMANAQUE REPUBLICANO

segunda-feira, 19 de julho de 2010

LE CHIEN ROTHSCHILD OU EM BUSCA DO “OLD PORTUGUESE POINTER” - PARTE I


A pesquisa iconográfica à volta da putativa representação primeva do ancestral perdigueiro português ("the old portuguese pointer"), carta patente para o construído teórico final sobre o "perdigueiro português" que distintíssimos autores portugueses clássicos do cão de parar requereram em entusiasmo patriótico, é uma bondade - sempre adornada de curiosas omissões das fontes documentais e lacunas de inventariação - quase sempre inanimada entre manipulações admiráveis, fantasiosa opinião e fábulas nada inocentes.

Sendo incontestável a competência dos nossos investigadores credenciados do cão de parar, está longe, porém, de se ter resolvido a génese da sua problemática, porque esta é (a nosso ver) fundamentalmente uma questão de metodologia: sobre o processo de caça, da função e ensino do cão, da genética à investigação da iconografia dos antecessores do Perdigueiro Português, pois certamente que sim, mas onde também, ou principalmente, se exige que esteja aí presente o reconhecimento e validação de um discurso cinológico que tenha em conta as obras produzidas e os contextos, isto é os complexos discursivos [ver sobre o assunto Patrick Tort, "La Pensée Hiérarchique et l'Evolution", Paris, Aubier, 1983, pp-43-57; "Les complexes discurifs, La Raison Classificatoire", Paris, Aubier, 1989] representativos do campo científico e dos sistemas de pensamento. Isto é, a nosso ver, há que encontrar um aparelho epistemológico apropriado que articule e faça conjugar [cf. João Maria André] as versões internalistas (sucessão de teorias, refutações e/ou substituições de teorias) com as versões externalistas (contextos históricos, económicos, políticos e institucionais), reconstruindo o saber, desestruturado que foi numa "metáfora de espaços vazios" onde os conteúdos e produções ideológicas dominam e ocupam o discurso científico, fazendo passar-se por ele [voltaremos a esta questão da "invasão das ideologias", em concreto, no campo do discurso nacionalista presente, ao que julgamos, na evolução do debate sobre o "cão de parar"].

Mais: não equacionando deste modo, aquilo que é o nosso reparo á generalidade dos investigadores, cai-se no perigo de enramar a "fronte dos nossos cães com coroas de louro" [para citar, com todo o gosto, o padre Domingos Barroso quando se refere ao proselitismo patrioteiro de Leopoldo Machado Carmona sobre a origem nobiliárquica do perdigueiro português – p.71 da sua obra] numa tecnologia iconográfica caprichosa e eivada de lirismo, e que no fim produz uma narrativa pastoral que é uma manifesta e desnecessária trapalhada.

Regressando à questão da busca da gravura original do "perdigueiro português", que a este post diz respeito, apresentamos acima, porque nos parece conclusivo, a imagem [p. 178, aliás p. 197 na obra digitalizada pelo Google] "Le pointer espagnol", com assinatura visível de Luke Wells, retirada da estimada obra: Histoire physiologique et anecdotique des chiens de toutes les races par Bénédict-Henry Révoil. Préface et post-face par Alexandre Dumas, Paris, E. Dentu, Libraire-Éditeur, 1867.

A questão iconológica à volta da gravura de Luke Wells, que aparece repetidamente nas obras portuguesas sobre o cão de parar como sendo a representação excepcional do ancestral perdigueiro português, é surpreendente de se seguir: [Fim da Parte I in O Cão de Parar]

LER no BLOG "O CÃO DE PARAR" a Parte I e a Parte II:

- LE CHIEN ROTHSCHILD OU EM BUSCA DO “OLD PORTUGUESE POINTER” - PARTE I;
- LE CHIEN ROTHSCHILD OU EM BUSCA DO “OLD PORTUGUESE POINTER” - PARTE II.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

PUBLICAÇÕES ESCOLARES DO LICEU DE AVEIRO DURANTE O ESTADO NOVO


Preia-mar s.f. nível máximo da maré; o maior nível atingido pelas águas, no fim da enchente; maré cheia; maré alta

A Escola Secundária de Estarreja, "aproveitando a abundância da maré", por ser a hora esperada e seguros dos trabalhos de marinharia, lançou a revista "Preia-Mar" (em versão digital, AQUI). São 98 páginas de "(re)encontro com pessoas e documentos", uma navegação à memória das gentes e das terras que a comunidade educativa serve, uma escrita que é um "tributo à natural afeição das gentes de Estarreja", ao labor da terra, da ria e ao mar. E pelo que se vê o vento foi próspero. Muitas felicitações!

No que a este "estabelecimento" diz respeito, fazemos referência à publicação do estimado texto de Maria de Jesus Sousa de Oliveira e Silva [MJSOS], "A História das publicações escolares do Liceu de Aveiro durante o Estado Novo" [pp. 9-15], aliás uma adaptação de uma parte do mestrado da autora em História Contemporânea de Portugal ["A história e o liceu no Estado Novo", Maio 1993], via FLUC.

É evidente que o trabalho académico de MJSOS foi um serviço que enriqueceu a (então?) pobre historiografia na área da história da educação e das ideias pedagógicas em Portugal, nomeadamente o importante e incontornável contributo da imprensa periódica escolar para o estudo das reformas educativas, mas que também nos traz a dimensão do pensamento pedagógico e a construção das instituições escolares, do mesmo modo que coloca a problemática e a natureza da cultura associativa, da organização, revindicação e luta do movimento associativo da classe docente. Da República ao Estado Novo e deste ao 25 de Abril não há dúvidas que a imprensa escolar é o lugar privilegiado, o lugar de afirmação, vigilância e regulação colectiva [cf. António Nóvoa] de luta (resistência) de ideias e valores dos/contra os regimes, que a partir dos seus conflitos e polémicas caracterizam ao longo de gerações não só a obra e o sistema educativo mas que reflecte, também, a ideologia e a acção governativa ... [continua AQUI, no Almanaque Republicano]

LER TUDO AQUI no Almanaque Republicano.

terça-feira, 13 de julho de 2010

SEMANA PAROQUIAL


"Já não há malhadas nem cantigas, não há desfolhadas nem beijos às raparigas"

- a semana começou com dor de ouvido. Quando se ultimam as ceifas dos cereais (os bons primos alentejanos estão de sacrifício), se continua a poda vida e no jardim vai de se semear, eis que o chefe da exploração do PSD arranca com as chamadas "jornadas parlamentares". Nem o banho aos pés com farinha de mostarda ou algodão canforado nos ouvidos combateu a moléstia. É por demais sabido que o "bom lavrador é sempre o melhor soldado", mas este mau tempo de Julho está repleto de amadores patéticos. Afinal, se na moita já farejava o sr. Sócrates & amigos para que é que o sr. Passos (promíscuo do sr. Sócrates) vai de ocupar a tapada de S. Bento?

- nas ditas "jornadas parlamentares" do sr. Passos, onde ao que dizem sopraram aragens das várias botinhas à la S. Comba Dão, avultou o comediante Campos e Cunha, o cavalheiro Ernâni Lopes (que tirou vários coelhos da cartola) e o inefável Vítor Bento. Pouco originais, todos a viver das migalhas dos emolumentos que patrocinaram quando foram governantes, peroraram as "mudanças necessárias", exactamente no mesmo dia em que se sabe que a economia paroquial estagna, que a oficiosa Moody’s acaba de rever em baixa o rating português e que o Orçamento para 2011 está no confessionário da União Nacional. Entretanto, desabrigado dessas desditas, o sr. dos Passos Coelho faz o roteiro da revisão constitucional e do seu próximo assalto ao Estado. Na ocasião os comentadores (próximos penduras da governação) afinaram, chorando em uníssono, a necessidade de um gabinete de União Nacional, num cenário que vai do sr. Salgado do BES ao inconfundível intelectual Manuel Pinho. As bodas governativas do sr. Passos Coelho são uma canseira, de ir às lágrimas! Ó Teixeira, dá-me a gravata!