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Não tive tempo de ser mais breve" [Pe.
António Vieira,
in História do Futuro]
Por não chegarmos a tempo (mérito nosso) desta apostada monomania indígena do
diseur elogiativo e ululante do disparate nacional, com que se tornou esta paróquia do sr.
Silva, Sócrates & Coelho, Lda, generosamente posta em lume raso pela brigada do costume, pedimos a V. bem-aventurança e
candura. Compreendam: "
em presença da mulher amada é aconselhável colher nuvens" [Cadavre exquis – como é evidente].
Nada, pois,
a declarar! E já não é o nada que nos madura a vidinha (nós para aqui a pensar no futuro), mas tão só a contemplação da
ruína a que tudo isto chegou. Mesmo que fatalmente esperada, o
espectáculo insolente das carpideiras do regime – como essas endechas postas a correr por inúteis ex-governantes nas Tv's, entre os quais pontifica o pasmoso
Silva Lopes – torna tudo de uma soberba
inqualificável e
sem remédio.
Assistir ao que se vai dizendo da fazenda pública, como se
a crise gravíssima com que se deparam as democracias ocidentais não permanecesse ou a subsistir se resolvesse – sempre com a cegueira habitual do correr para a frente que em todos habita por inércia e falta de coragem política -, com o fim do
bem-estar económico e social de mais de 60 anos e o correspondente
retrocesso e
derrocada civilizacional de um século (como todos esse exaltados e intratáveis figurões prescrevem), torna tudo inútil e irretorquível.
Que o roufenho
António Costa (do
D.E.) discorra sobre a charneca económica, depois de há 5 anos tecer hossanas à governação do sr.
Sócrates está conforme o esperado para o pessoal doméstico; que a rincharia do citado
Silva Lopes exista e persista, ou que o respigado prof.
Cantiga, num turbilhão de emendas, veja a paróquia isolada do mundo e da alma económica global, é absolutamente normal ou não tivessem ambos óculos universitários; que o estremecido rapaz
Nogueira Leite, agora iniciado na
choça de Passos Coelho, entenda a paisagem económica como a imaginou esse lustre da lusitanidade, de nome
Paulo Teixeira Pinto, não é estranho nem perturba a reedição do
index liberal – as nulidades atraem-se; que os sobreditos & todos os outros paineleiros e colunistas observem a vulgata do
dumping social, em que Portugal, a Europa, as Américas e o mundo livre se devam transformar numa magnificente
China, com remunerações de 0,70 euros/hora e o
fim do Estado Social que se seguirá, não deixa de ser uma intimidade curiosa, ou não viesse a comovida receita de sujeitos pouco habituados a trabalhar e que sempre viveram à conta dos cidadãos e dos seus impostos.
Como diria
Aristóteles:
consuetudo est altera natura.
Por isso, não temos nada a declarar! Vossas Excelências
não têm nada a declarar?