"
Um pé na margem direita, outra na margem
esquerda e o terceiro no rabo dos imbecis" [
J. Prevert]
Entre a romagem ao portal de
S. Bento, abandonadas as aulas bafientas, e a miséria da vida quotidiana na
Universidade de Coimbra, fiquemos pela excitação do seu
Senado Universitário, tomado agora como altar de piedosos exercícios democráticos. Cante-se, pois, os inesquecíveis dribles de
Seabra Santos perante o domesticado quórum do
Senado, que a bola nunca esquece e o futebol é que educa. E anote-se este novo milagre cívico de votações à sorrelfa, pois que a paixão da educação tudo permite e a pedagogia assim o exige. E diga-se: se
Coimbra é uma lição, o seu
Senado é a oração sapientíssima, o compêndio do cidadão; e como redil doutoral, só pode encantar pelas liturgias nostálgicas do passado. Para que um dia vos lembreis.
Na vida admirável do estudante, "
o ser mais universalmente desprezado" depois de colunista, deputado, futebolista e bloguista, a crise da universidade reside na sempre eterna poeira das propinas, um recreio de grande excitação. Incapaz de propor algo de perfeitamente noviciado, a actividade radical do estudante universitário assenta nesse moinho de vento do "
não pagamos", o pronto a carpir do estudantariado. Julgando-se tanto mais livre quanto maior o simulacro das suas preces e clamores, o estudante cede às grilhetas da autoridade e "
chega tarde demais a tudo".
É, pois, com admirável condescendência e uma ingenuidade enternecedora que, amortalhados entre as quatro paredes da sala de aulas, atentos e veneradores ao desfiar da cultura dos mestres, nunca ousam denunciar o enorme tédio das inenarráveis aulas dadas por cavalheiros que tem do pedagógico a noção de um discurso às mulas da parada.
Em paga dessa respeitabilidade, eis o declarado desprezo dos
Seabras Santos no seu
Senado e as pragas dessa eminência parda da Nação que dá pelo nome de
José Manuel Fernandes. Para que um dia vos lembreis.