Hay-on-Wye - "a capital do alfarrábio"Via
ASS lemos, gostosamente, a coluna de
JPC na Folha, onde nos conta as aventuras (ao que soubemos depois, com mais 3 portugas, também amadores de papel escrito) em
Hay-on-Wye. Lembrámo-nos do excelente texto (e fotografias) de
António Barreto publicado na
Grande Reportagem,
Janeiro de 1997. Fomos à cave e, qual proleta do
Tio Patinhas (versão
JPP) lá encontramos a referência. Aqui deixamos algumas notas:
"Nesta aldeia [
Hay-on-Wye, segundo
AB teria menos de mil habitantes], exercem a sua actividade mais de trinta alfarrabistas e várias dezenas de pubs, bares, restaurantes, hotéis e B&B (bed and breakfast). Aqui estão armazenados, para venda, mais de três milhões de livros em segunda mão. A
Hay chegam, por ano, dezenas de milhares de turistas, leitores, académicos, comerciantes, jornalistas, investigadores, livreiros, coleccionadores e especialistas de todos os domínios. A receita anual da venda de livros ultrapassa os tês milhões de libras (750 mil contos), à qual se deve acrescentar a hotelaria, mais ou menos doze milhões de libras. Estamos próximos dos quatro milhões de contos directa e indirectamente gerados pelo comércio alfarrabista! Isto, repito, numa aldeia de novecentos habitantes ..."
"...
Hay situa-se exactamente na fronteira entre a
Inglaterra e o
País de Gales. A tal ponto que a sua localização administrativa é contestada: Galeses e Ingleses reclamam-na para si. Os locais não se envolvem nessa luta: pertencem a uns e outros, conforme as vantagens. Alguns acham mesmo que não pertencem a quem quer que seja, são deles próprios, uma terra de ninguém que explora as querelas burocráticas dos outros. E não falta quem tenha declarado a independência de
Hay! Até o nome da aldeia traduz a dualidade:
Hay-on-Wye para os Ingleses,
Tragelli ou
Y Gelli para os Gauleses. No tempo dos normandos a aldeia estava dividida em duas partes, a
English Hay e a
Welsh Hay. Terra de fronteira, teve uma vida previsivelmente agitada: a sua história é rica e, assassinatos políticos, prisões, intrigas, adultérios e vingança. Os seus habitantes ficaram com uma perene reputação de rebeldes: resistiram aos Romanos, aos Galeses e aos Ingleses. A quem viesse ..."
"... Apesar do «progresso», o turismo em
Hay é diferente. Amantes da natureza, pescadores, coleccionadores, escritores e leitores formam uma «fauna» menos barulhenta do que as que se vêem noutros sítios (...)
Tudo se passa com uma cerimónia estranha (...) Antes de comprar, a fim de esconder as intenções, os tarados dos livros andam depressa e silenciosamente; depois de carregar os sacos, devagar e sorridentes. Fazem-se negócios na rua, nas esquinas, nos
pubs e à mesa do restaurante. Revendem-se, com lucro, livros acabados de comprar mesmo ao lado. Vendem-se livros nas mercearias, na farmácia e no
tea-room. Toda a gente sonha com descobertas: o livro raro, a primeira edição raíssima, o autografo de
Churchill perdido dentro de um livro ou a gravura original do herói do cricket,
W.G.Grace, publicada pela
Vanity Fair. Todos esperam encontrar o pequeno tesouro que passou despercebido ao próprio livreiro (...) [
António Barreto]
[
a continuar: "Alfarrabistas", "O Festival de Literatura" e "O Rei de Hay"]
Locais: Hay-on-Wye /
Hay-on-Wye /
Bookshops in Hay-on-Wye /
Hay on Wye, a world of books /
Hay-on-Wye booksellers /
Hay on Wye Castles /
Hotels and cottages in Hay-on-Wye /
"God save the King" [por João Pereira Coutinho]