A descoberta de ... José Lamego
A estreia de
José Lamego como putativo pretendente à liderança do
PS obteve os maiores encómios na blogosfera lusa. Quem acompanhou as olheiras pisadas e o esforço piegas da rapaziada do
Acidental ou a bondade da análise de
PG sobre o crepitar acarinhado da candidatura de
Lamego, decerto confidenciou que os inquietos ensaios à volta do reboliço que antevêem no
PS é uma trovoada num copo de água. Mas nunca fiando. Bem entendido, a pretensão exibitiva que se lê não esconde a intencionalidade e o vigor emotivo de quem as profere. A choradeira não é inocente, mesmo que a
lebre corra já.
Deixando de lado a erudição milagrosa do
prof. Rato, às voltas com o
"pesadelo" Lamego, a sempre eterna tese da conquista do eleitorado do centro e os amores acidentais por
Guterres (tomados como frutos absolutamente espinhosos), tenha-se em conta a observação de
PG, cuja elegância arquitectónica é de destacar. Passe a afirmação forçada de responsabilidade e moderação (?), presente na linha politica supostamente assumida por
Lamego e que ninguém entende o que seja, nem que grupo afinal representa, o que resta nesta descoberta do efeito
José Lamego é muito pouco deslumbrante. E mesmo que o desfilar da personagem
Sócrates (supõe-se que
João Soares é pouco sugestivo) tenha uma nota bastante colorida, a trapalhada aparente que esse cenário sugere, mesmo que a "
procissão" ainda vá no adro, é evidente.
Assim, nunca nos é mencionado por que motivo se terá de apostar no caminho do centro-direita, a não ser que se encare
este governo como de direita/extrema-direita, o que não deixa de ser irónico; não é tido em conta o espírito da última votação eleitoral dos portugueses e a suposta "
virada" à esquerda, pelo que se admite que, num cenário de crise económica e social como hoje se vive, esse voto de protesto não têm qualquer consequência e, deste modo o eleitorado mantêm-se
inamovível no centro direita (daí um
Lamego triunfador);
Sócrates é tomado como uma figura que se situa à direita no espaço socialista, o que convenhamos é um enorme
absurdo (refira-se que a costela social-democrata de
Sócrates existe, de facto, mas o que o separa das águas laranjas é, hoje, quase tudo); não é tido em conta a prestação e o desaire pessoal de
José Lamego como candidato à C. de
Cascais (salvo erro) nem as ocorrências em torno da sua candidatura; nem sequer é ponderada a desmesurada vitória eleitoral de
Ferro Rodrigues, em circunstâncias absolutamente inacreditáveis e o efeito que lhe proporciona. Por último é suposto que a
aliança governativa está no melhor dos mundos e que, mesmo que algo mude, não terá qualquer interferência nessa configuração da tomada da liderança do
PS. Parece, pois, uma análise pouco consistente e estimulante. Mas compreende-se. Afinal o direito de presumir não é, nunca, inteiramente
inocente. Diga-se!