sexta-feira, 3 de outubro de 2008


In-Libris – livros de Outubro

A In-Libris (Porto) apresenta um lote de 100 livros antigos e estimados de poesia, literatura, botânica, etnografia, artes, monografias, etc.

Referências: poesias de Afonso Duarte, Alberto de Serpa, Alfredo Pimenta, Américo Durão, Antero de Quental, António Aragão, António Botto, Azinhal Abelho, Cândido Guerreiro, Egito Gonçalves, Eugénio de Castro, Francisco e Sousa Almada, Gastão Cruz, Hélder de Macedo, João José Cochofel, Jorge de Sena, Manuel António Pina, Matilde Rosa Araújo, Melo e Castro, Miguel Torga, Natália Correia, José Blanc Portugal, Ruben A., Rui Namorado, Ruy Cinatti, Teixeira de Pascoaes, o estimado livro Guia Histórico do Viajante do Bussaco e as Memorias do Bussaco (de Forjaz de Sampaio), livros de Ferreira de Castro, a invulgar obra em VI vols de Alexandre Carvalho Costa (Gente de Portugal), o esgotado livro de Emílio Costa (Ascensão, Poderio e Decadência da Burguesia, Cadernos Seara Nova), a valiosa obra Os Espigueiros Portugueses, obras de Tomás da Fonseca, a rara peça Poética dos Cinco Sentidos La dame à la Licorne, o estimado livro de Luís Palmeirim "Os Excêntricos do meu tempo", a copiosa obra Operas de Mário de Sampaio Ribeiro.

A consultar on line.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008


Vedi Lisboa e poi muori



"... de beleza és diva,
e em qualquer modo sempre me és querida,
ou anelante, ou esquiva;
e quer fujas, quer sigas,
suavemente me destróis e obrigas "

[Torquato Tasso, in Vita de la mia vita]

quarta-feira, 1 de outubro de 2008


ANACRONISMOS (NOTAS BREVES PARA UMA POLÉMICA)

"Nos últimos tempos, a propósito do Centenário da Proclamação da República, alguns monárquicos tentam recuperar a imagem do regime monárquico.

Quem nos conhece pessoalmente ou que nos acompanha em visitas mais ou menos regulares ao blog, certamente nota que temos evitado as apreciações ou depreciações mais ou menos conhecidas. Historicamente, tentamos basearmo-nos em factos e apoiarmo-nos na bibliografia existente que temos disponível. No entanto, não podemos deixar de notar que esses monárquicos para procurarem uma legitimação que actualmente já não possuem, omitem, interpretam e tentam recriar os acontecimentos da forma que os favorece mais.

Muitos dos problemas que o nosso País atravessa são, de facto, de qualidade dos seus dirigentes, mas essa qualidade não é um problema recente. Certamente que alguns dos políticos que nos têm governado, seja na Monarquia, na 1ª República, na 2ª República (Ditadura), ou mesmo na 3ª República cometeram erros que todos os cidadãos acabam por ter que assumir, porque vivemos num país em que muito facilmente se atiram as culpas para os outros e raramente se assume a responsabilidade pelos actos (...)

Na Monarquia já existiam eleições, mas também se sabe que elas de livres tinham só o nome. Mais, os monarcas tiveram o cuidado de votar leis que podiam impedir o progresso eleitoral dos republicanos criando círculos eleitorais mais amplos nas regiões urbanas de Lisboa e do Porto, onde tradicionalmente havia maior votação no Partido Republicano, para conseguirem realizar mais facilmente as famosas chapeladas (colocação de votos nas urnas). Também sabemos que era possível mudar de governo entre os dois grandes partidos monárquicos (Progressista e Regenerador) e, pelo menos a partir da década de 70 do século XIX, houve alguma alternancia de poder, mas os líderes pouco mudavam, a classe política era quase sempre a mesma (...)

Por outro lado, apontam-se também criticas à República que são verdadeiras, mas que fazem parte de todos os momentos revolucionários. Sempre houve e sempre haverá exageros e também os houve durante a República, não temos qualquer dúvida em relação a isso, no entanto também sabemos que quando se vivem momentos revolucionários, de conturbação política e social os acontecimentos ultrapassam as ideias daqueles que os imaginaram e realizaram. Isso aconteceu sempre ao longo da História, seja em Portugal ou no mundo (...)

Alude-se também à questão da liberdade de imprensa. A liberdade de imprensa era ainda uma conquista a fazer nos finais do século XIX. Note-se que com a crise do Ultimatum e do 31 de Janeiro de 1891 foram encerrados variadíssimos jornais de forma compulsiva, simplesmente porque o poder político monárquico assim o entendeu fazer. Os jornalistas eram presos e julgados por emitirem opiniões contrárias ao poder estabelecido, não só os nomes mais conhecidos da propaganda republicana como João Chagas, Francisco Manuel Homem Cristo, António José de Almeida ou Heliodoro Salgado, outros pelo país sofreram estas perseguições e foram exilados ou obrigados a emigrar (...)

... o problema da adesivagem ao novo regime, que é um fenómeno muito típico em Portugal, mas não só. Muitos dos Monárquicos de renome antes do 5 de Outubro, transformaram-se do dia para a noite nos grandes paladinos do novo regime. Tornaram-se os mais ferverosos dos republicanos, capazes de perseguir os antigos companheiros de política que não mudaram de posto só porque mudou a circunstância. Isso também aconteceu em 25 de Abri de 1974 e muitos ainda estão na política activa, no entanto, o povo tudo esquece e quase tudo perdoa. Daí que muitas vezes sejamos considerados um País de brandos costumes"

[A.A.B.M., in Almanaque Republicano - ler tudo aqui]

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Yes "They" Can!



"Centre of equal daughters, equal sons,
All, all alike endear'd, grown, ungrown, young or old,
Strong, ample, fair, enduring, capable, rich,
Perennial with the Earth, with Freedom, Law and Love,
A grand, sane, towering, seated Mother,
Chair'd in the adamant of Time"

[Walt Whitman, America]

Do milagre ao delírio

"Em tempos de inovações é perigoso tudo o que não for novo" [Saint-Just]

A mega crise do mercado financeiro americano e a implacável recessão (definitivamente, global) que por aí vem, nas suas origens e pelas mudanças estruturais que vai provocar, aponta para o movimento do fim da hegemonia do "santo" modelo neoliberal (global) e o "regresso do Estado" socialmente responsável. Não é uma questão de economia, é uma questão política. Então, convém não esquecer, que os efeitos da quântica comportamental da crise não têm soma nula: uns ganham, outros perdem. Saber e entender quem perde e ganha implica que não se faça novas (velhas) desconstruções históricas, que a burlesca argumentação defensiva dos adeptos da superstição liberal actualmente sugere. E que pelo menos, já que o miserabilismo conceptual dos seus discípulos no campo financeiro e económico é constrangedor, saibam entender e honrar a sábia observação de Popper naquilo que se denomina "assimetria dos enunciados universais". O dr. Espada explicará, se lhe pedirem!

De outro modo, o "remédio" estratégico que vai ser formatado contra a crise da crise exige a sustentação de um novo saber e saber-agir político-económico e, possivelmente, ético-social, que estes longos anos de barbárie "terrorista", generalizada sob a inflamada e dogmática narrativa neoliberal e o seu enfadonho receituário, bloqueou e impediu.

Os fundamentos do modelo neoliberal – que curiosamente alguns virtuosos (e viciosos) liberais dizem desconhecerem na sua doutrina e prática económica e financeira (entre os nossos nativos, veja-se sobre o assunto, com a devida vénia, o piedoso escrito de José Pacheco Pereira, no Público, o desastroso texto do sr. Rui Ramos, ou o inenarrável editorial do pouco estudioso José Manuel Fernandes) –, a "contra-revolução intelectual" (para citar Friedman) globalizante e a ideia de um pensamento único que se lhe seguiu (e que tiveram, outrora, os seus putativos heróis entre a sociedade "maçónica" de Mont Pèlerin), definitivamente empalideceram e se desfazem como modo de vida. A política económica está de regresso.

terça-feira, 16 de setembro de 2008


In-Libris – livros de Setembro

A In-Libris (Porto) surge no seu Catálogo de livros do mês de Setembro, com peças esgotadas e raras, algumas com excelentes encadernações.

Referências: poesias de Adolfo Casais Monteiro, Afonso Duarte, Alberto Monsaraz, Alberto de Serpa, Almada Negreiros, Américo Durão, Branquinho da Fonseca, Camilo Pessanha, Carlos de Oliveira, Carlos Queiroz, Casimiro de Brito, Eugénio de Castro, João Campos, Jorge de Sena, José Régio, Miguel Torga, Orlando da Costa, Papiniano Carlos, Ramos Rosa, Silva Gaio; o Diccionario Portuguez das Plantas, Arbustos, Matas, Arvores, Animaes Quadrúpedes e Repteis, Aves, etc de José Monteiro de Carvalho (1812, II vols); obras de Ferreira de Castro; o estimado livro de Gouveia Portuense "Portas e casas Brasonadas do Porto e do seu Termo" (1949); alguns livros de e sobre Eça de Queiroz e Camilo; o curioso Dictionary of the English Language (Samuel Johnson) em II vols; o precioso catálogo "Três Poetas do Surrealismo. Exposição Icono-Bibliográfica"; peças de José Agostinho de Macedo; a edição O Livro das Mil e Uma Noites (ed. Estúdios Cor, pref. de Aquilino Ribeiro, VI vols); o esgotado livro "A Poesia dos Trovadores" com pref. de Vitorino Nemésio; a Paquita de Bulhão Pato; o Texto de Guerrilhas de Luiz Pacheco; o Cântico dos Cânticos publicada pelo Circulo Bibliófilo Hebraico do rio de Janeiro (1948).

A consultar on line.

domingo, 14 de setembro de 2008


Don't cry for me, Madonna!

... vou ali curar-me da relaxação dos costumes ... e já venho!

Boas noutes!

O país "cadaveroso" do dr. Cavaco

"Não acha a colega que estamos todos a exagerar no fabrico de faca sem lâminas a que falta o cabo?" [?]

O prof. Cavaco Silva é politicamente conservador, entrouxado no seu tortuoso economês, obscuro nos costumes, desocupado culturalmente. O dr. Cavaco Silva é, com ou sem lamentações, o Presidente da República. O polícia da Constituição. E, ao mesmo tempo, não deixa de ser a "roda-viva" desta curiosa direita desastrada e já sem "esperança de casar".

Singularmente vaidoso, birrento, comicamente cediço, o dr. Cavaco – até agora um simples "notário" do governo – entende que acabou o seu tirocínio presidencial e que chegou a hora de salvar a pátria. Autorizado por fervorosas almas gémeas, com assento no bloco central de interesses, o dr. Cavaco vareja ministros, o Governo, a Assembleia da República, o poder local. A catadupa de intervenções públicas do PR, deslocadas no tempo e insolitamente ressabiados, justifica o silêncio existencial da "tia Manuela". Cavaco Silva (basta ler o que por aí se escreve) é hoje – como se previa – o figurino e a máscara da despeitada oposição. Desconhece-se, apenas, se assume o papel de motu próprio (os escolhos e as toleimas da governação, de tão assinaláveis, são um verdadeiro convite a isso) ou se caiu numa esparrela intencional do eng. Sócrates com o fito de tocar a rebate e unificar as suas fugidias hostes.

Seja como for, ao dr. Cavaco pouco lhe importa o país e a canalha. Para essa indigestão o dr. Cavaco já deu! A digressão e diversão agora são outras.

Deste modo a ilusão que não se passa nada entre o Governo e o dr. Cavaco é uma piedosa inspiração de alguns assalariados. O fait-divers de Paulo Pedroso e o sua União Nacional ou a privança jurídica do douto dr. Vital Moreira sobre o princípio da reserva da constituição, via Estatuto político-administrativo dos Açores, mostra existir algumas divergências temporais na estratégia do grupo socrático, mas nada mais que isso. Por sua vez, o embrechado sopro de Ferreira Leite sobre o direito de voto dos emigrantes e o surgimento desatinado de putativos candidatos à liderança do escavacado PSD, revela o fragor e a violência da luta partidária que já está aí.

Os acolhidos do bloco central de interesses estão (que ninguém se engane) vivos e de boa saúde. Os tempos que se seguem e o cortejo habitual de luminárias a acompanhar serão muito curiosos. O país "cadaveroso" (expressão recolhida da velha polémica Sergiana sobre o seiscentismo, presente no último livro de Artur Anselmo) do dr. Cavaco continuará a ser como até aqui, seguindo as palavras de António Sérgio, esse "espectáculo do estiolamento da mentalidade portuguesa".

Dúvidas!?

Colheitas de bom veraneio (III)

Álbum de Família e Vestido de Noiva, raro livro de Nelson Rodrigues, Edições do Povo, Rio de Janeiro, 1946. Eis uma das obras míticas do então maldito Nelson Rodrigues. O texto do Álbum e Família foi submetido à censura e a sua representação proibida [17/03/1946] por "indecência", imoralidade e incitamento ao "crime". O governo do liberal (?) e populista Eurico Gaspar Dutra [1946-51] proíbe a peça. Curiosamente, nesse ano além de proibir os "jogos de azar" nos casinos, também ilegalizou o Partido Comunista, retirando-lhe a sua representação eleita para o Congresso. Neste debate sobre a proibição do "Álbum de Família" tem lugar central Álvaro Lins, pois foi ele quem "desencadeou a polémica" [que se desenvolveu nos jornais] e a guerra contra a peça de Nelson Rodrigues [sobre o assunto ver: Ruy de Castro, O Anjo Pornográfico, 1997, p. 196 e segs]. Manuel Bandeira, Ledo Ivo, Rachel de Queiroz, Nelson Wernek Sodré e outros, defenderam a sua circulação e representação.

Nelson Rodrigues, Álbum de Família e Vestido de Noiva, Edições do Povo, Rio de Janeiro, 1946

terça-feira, 2 de setembro de 2008


Paulo Coelho - biografia

Para que não suspeiteis que não foram avisados, informa a gerência que está em leitura o copioso volume (630 pag.) de Fernando Morais, "O Mago", que como sabem é a biografia autorizada do fecundo escritor Paulo Coelho.

Operação de marketing ou não – montada por Morais & Paulo Coelho, como alguns sugerem - o livro que saiu no princípio de Junho, pela editora Planeta, é bem curioso. Atrevemo-nos, mesmo, a dizer, que supera as trivialidades escritas pelo biografado. A sua vida, ficcionada ou não - veja-se, por exemplo, a história do seu suposto envolvimento bem como o do seu amigo Raul Seixas (com quem trabalhou musicalmente), na Astrum Argentum ou na O.T.O., sociedades secretas, ambas inspiração do "mago" Aleister Crowley) – merece uma boa leitura. O que estamos fazendo.

Locais: O Mago um livro de Fernando Morais / Entrevista a Mário Maestri sobre Paulo Coelho / O Mago e seu Parceiro Maluco Beleza / Raul Seixas, Paulo Coelho, a Sociedade Alternativa & a Lei de Thelema

Boa noite!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008


Descascando o Cebolo

Sábado passado fomos à Catedral da Luz. Isso mesmo: uns vão para as universidades de verão (curioso nome), outros caminham em passeata presidencial para o Leste, mas nós não fazemos por menos. Fomos pedir a bênção à Catedral e a solene pastoral só podia correr bem. Anoitecemos de júbilo. Idonea vero causa!

Ora na Catedral de todos nós, apesar do relvado apresentar estimáveis doses de cebolas & outros tubérculos menores, convém dizer que não houve cheiro algum a futebol e presume-se, mesmo assim, que ninguém chorou por isso. O que conta é lá ter estado, entre a nossa gente! E mesmo que as importações de cebolas argentinas pelos Andrades das Antas seja um verdadeiro cebolório – o caso de Lucho Gonzalez e o rapaz Lisandro revelaram mesmo pouco tango -, aquele cebolo do Rodriguez, made in Uruguai, anteriormente player do Glorioso e que, na época, era "bom de briga" [brasileirismo, evidentemente], como se viu, foi bem lavado com a pele que apresentava no momento. Pouco desenvolvido e sem flor de cheiro, ainda assim mostrou que quem arriba ao quintal das Antas alcança maquinalmente a figura de um inabalável caceteiro. Na Luz tal tumulto nunca se lhe viu. Nem seria desejável!

No resto, evitando falar nessa ideia pouco doutrinal de entregar o meio-campo ofensivo ao rapaz Carlos Martins e continuar - com tenacidade diga-se – a manter o Katso na defesa, o nosso Glorioso está como está: falta-lhe a espada de conquistador. Por sua vez, os Andrades, sem um tal Paulo Assunção, foram simplesmente incompetentes. Em vantagem numérica, curiosamente desarrumados, com um guarda-redes me(r)droso e sem atacantes lúcidos, mostraram temor, muito temor. Até o inefável Bruno Prata – jornaleiro com assento na bacia das Antas - o compreendeu. Coisa que o dito cujo prof. Jesualdo não assina. Manias!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008


Jogos Olímpicos: "o ouro da vingança"

"Amigo torcedor, que Michael Phelps que nada, o grande personagem destes de Pequim é o gajo e valente Pedro Dias, a quem no trágico e inevitável tatame da existência coube o papel de um confesso chifrudo olímpico (...)

Ai, Mouraria, ai Tejo que carrega todas as dores do mundo, coube ao judoca português, numa estupenda sinceridade d'alma, dizer de onde vinha a sua fúria de indomável touro: "Questão de saias". Havia sido traído, confessou, pelo oponente e favoritíssimo brasileiro João Derly, na categoria meio-leve - se é que pode existir leveza em tais circunstâncias.

Quis o destino, esse mascarado trocista, que o gajo encontrasse justo o Derly pela frente. Não em um beco escuro, não em uma taberna esquecida do Alentejo, não no largo dos Aflitos, bastante estreito a essa altura, caro amigo Antônio José, esse gênio de Irará e derredores, bastante estreito para caber tanta aflição e orgulho de macho ferido.

Quis o destino, essa mão que manipula as assombrações internas de um homem como quem balança mamulengos e fantoches, que Pedro e João tirassem as suas diferenças no maior espetáculo da terra. O que poderia ser uma meia dúzia de tabefes e sopapos, sob as vistas de inflamados bebuns da rua Augusta, virou uma contenda olímpica.

O certo é que o ressentido gajo derrotou impiedosamente o bicampeão mundial, o favoritíssimo "canalha" brasileiro, no maldizer do judoca português. Coube, então, ao jornal "A Bola", um matutino lisboeta, cravar a melhor e imbatível manchete destes Jogos até agora: "Matar o traidor e depois morrer" ...” [ler tudo, aqui]

[Xico Sá, O brilhante ouro da vingança, in Folha de S. Paulo, 15 de Agosto 2008, sublinhados nossos]

In-Libris – livros em Agosto

A In-Libris (Porto) apresenta um novo Catálogo de livros. A referir alguns números da esgotada e muito procurada revista Oceanos, a 2ª ed. das Novas Cartas Portuguesas, o drama histórico Os Portuguezes em 1640 de Miguel Osório Cabral, obras de E.M. de Melo e Castro, estimadas e raras peças da saudosa Natália Correia, o curioso tratado de Jerónimo Cortez Fysionomia e Vários Segredos da Natureza (1792), livros de Mia Couto, obras poéticas de Gastão Cruz, livros de Culinária e Gastronomia (vidé os de Alfredo Saramago), o excelente A Memória das Palavras de José Gomes Ferreira, o estimado trabalho Jornalistas do Porto e a sua Associação (1925) de Luiz F. Gomes, obras estimadas de Alberto Pimenta, livros de poesias de Al Berto, Egito Gonçalves, Vasco Graça Moura, António Ramos Rosa, Fernando Guimarães, Carlos de Oliveira, António Pedro, Herberto Helder e António Maria Lisboa, as obras completas (via FCG) de Paulo Quintela e o raro Vocabulário Taurino de António Rudovalho Duro (1915).

A consultar on line.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008


Atrevimento ... muito atrevimento!

"A onda de assaltos e crimes violentos é uma coisa muito séria" [Cavaco Silva]

1. Com o maior dos despautérios, muito bem alapado no sofá de Belém, o dr. Cavaco, decerto ainda a refulgir da doce cooperação institucional com o medíocre governo de Sócrates, comunicou ao país a sua preocupação com a onda de assaltos e crimes que acontece por todo o lado, o que, de facto, qualquer cidadão já tinha entendido. Imediatamente um curioso grupo de jornalistas e analistas da paróquia se curvou no espectáculo presidencial e professou as apreciações elogiosas do costume. Com as orelhas a arder pelos ditames dessas criaturas inteligentes, o eng. Sócrates, esta madrugada, utilizando a poeira do costume, respondeu e mandou de imediato e com grande aparato a polícia cercar a Quinta da Fonte e a Quinta do Mocho. Decerto os "assaltos e crimes violentos" que percorrem todo o país, segundo a douta opinião do nobre primeiro-ministro e do sr. Rui Pereira, têm lá os seus mentores e a sua sede, o que não deixa de ser espantoso pelo atrevimento.

2. As palavras de Cavaco Silva sobre a "onda de assaltos", logo seguidas pelo pedido de "estratégias adequadas para combater a criminalidade violenta", são de enorme hipocrisia. São grotescas e de mau gosto. Não será preciso recuar aos tempos de inefável Laborinho Lúcio e do pitoresco descalabro das medidas então tomadas. Basta saber que a esfíngica figura que hoje brama por tais medidas de combate à criminalidade foi a mesma que assinou de cruz, braço no braço com o eng. Sócrates, as alterações ao novo Código de Processo Penal, o mesmíssimo que recomendou o Código Penal como feliz conquista conta o crime e aquele que considera que a nova Lei de Segurança Interna é um instrumento importante e, por isso, não encontra "razões para [a] não promulgar". E é o mesmo senhor que não nada diz sobre o estado comatoso da polícia e da GNR, sem meios humanos, materiais e jurídicos e perante a total degradação e paralisia da sua autoridade. Eis o nosso homem! Maior atrevimento não é possível.

3. Com a lista de mazelas denunciadas pelo dr. Cavaco, na mão e no ouvido, acorrem sempre à acção mediática os rapazes do costume. Os despeitados do PSD e a garotagem do CDS desataram num alarido artificial e cómico, sem que nunca se ouvisse uma única palavra de crítica ou simples lamentação sobre a posição do senhor presidente da República no apoio dado ao construído jurídico arquitectado pelo governo e que, fora outras razões substanciais, são importantes em toda esta questão. E mesmo que, por puro exercício que fosse, se aceite estar presente uma sustentada estratégia política de desgaste e cerco ao governo, levado a cabo pelo dr. Cavaco e seus anões - enquanto a D. Ferreira Leite espera em silêncio no recesso do lar - tal experimentalismo insano e provocador, com evidentes reflexos na vida dos portugueses e no país, não o permite aceitar. Não estamos num vale tudo. Haja decoro!

Colheitas de bom veraneio (II)

"Do Viril* Hora crepuscular de melancolia ... Há nas coisas e na alma uma lassidão dominante. O sonho! O sonho! Mas … Junto ao Amazonas só se pode sonhar com gigantes. E …com montanhas. Porque ... Para se viver o Amazonas é preciso ter uma alma tão grande como o próprio Amazonas (...)

... Havia um silêncio fictício (...) O índio avança, dobrando muito as pernas nos joelhos. A fêmea extasiava-se também no crepúsculo suave de nuvens vestido-de-bailarin: - cortadas agora por uma grande mutum, que veio poisar sobre o assahyzeiro, apequenado pela altura. Com um golpe só, passando-lhe a mão pela cabeça, o macho fel-a tombar: - de cara para cima. Ela, defendendo-se, suspendeu as pernas: - encolhendo-as, formando um ângulo: - mostrando então a vagina aberta dum arroxeado-escuro. Ele, mordeu-lhe o pescoço, os peitos, torcendo-lhe os braços, arrepanhou-lhe a pele da barriga com a sua mão larga e felpuda: - como se a quizesse suspender pelo ventre encolhido. E a fêmea estremecia: - como se um rolo de veludo a acariciasse. Um mundo de sensualismo invadia a tarde ..."

* ... Foi no Amazonas que nasceu o meu primeiro desejo (…) O Amazonas é um poema de sensualismo vegetal. Na sensualidade potente-e-morbida da selva ao crepúsculo eu fui homem (...) Hoje o Amazonas é a minha pátria: - o museu das minhas imagens: - a silenciosa biblioteca onde se acumulam todas as variantes da Belesa. Po isso … As ultimas paginas deste livro alcançam a primitividade: -na sua violência de verdadeiro. Às pessoas de pudor elas serão contundentes. Para que as expatriem da obra mandei perfurar. Quanto a mim ... O pudor é a túnica da Verdade: - Eu já rasguei há muito essa túnica” (p.98)

Ferreira de Castro, in "Mas ...", (p. 97-99) Tip. Boente & Silva, R. do Século, 2-C, Lisboa, Portugal, 1921, 100 pgs

Raro livro, nunca reeditado, de Ferreira de Castro. Trata-se do seu quarto livro, o primeiro que publicou em Portugal [Criminoso por ambição, 1916; Alma Lusitana, 1916; O Rapto, 1918; foram todos publicados no Brasil (Pará)] e que tem como curiosidade apresentar as duas ultimas folhas picotadas, pelas razões atrás referidas pelo autor. Muitos exemplares não apresentam essas folhas. Registe-se que se trata se ensaios de teor sociológico, sendo de realçar "Junqueiro hoje é o cadáver vivo do seu Génio morto" e, em especial o curioso:"A anarquia é a fronteira sociológica contemporânea".

Sebo na Estação da Lapa - Salvador da Bahia

Simples e curioso sebo, perto da estação da Lapa, em Salvador da Bahia. Apesar de ter poucas peças de interesse, apresenta obras literárias de edição popular e, se esquecermos o mau estado físico dos seus livros (que aliás é uma constante na Bahia, ou melhor por todo o Brasil), muito baratas. De muita simpatia.

Colheitas de bom veraneio (I)

Raríssimo primeiro livro de Ferreira de Castro. A novela "Criminoso por ambição", saída em fascículos sob edição de F. Lopes (Pará, Brasil) e vendida à mão pelo autor, foi publicada em 1916, mas foi anteriormente escrita (1912-13). Ferreira de Castro (que nasceu em 1898, pelo que tinha então mais ou menos 15 anos) era então empregado num armazém no Seringal Paraíso, no rio Madeira, coração do Amazonas - para onde foi enviado por um "engajador", por sinal seu conterrâneo. Trabalho duro e miséria terrível. Decerto é a partir daí e dos contactos com outros portugueses que começa a esboçar o seu importante livro, "Emigrantes".

Ferreira de Castro, "Criminoso por ambição" (novela). Edição F. Lopes, Pará, 1916

terça-feira, 26 de agosto de 2008


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Arribámos! Com muita soidade, algumas rimas e poucas profecias. O nosso veraneio, por natureza sóbrio & casto, foi como "uma gaiola [que] ia à procura de um pássaro". Deixámos, por isso, os nossos folgados indígenas lusos e seus ilustrados conselheiros dos jornais & blogs a caprichar na lição dos assuntos caseiros. Desde que, enfadados, assistimos ao curioso serão do dr. Cavaco que dizemos (como Machado de Assis), "felizes os que podem conhecer a origem das coisas ... e explicá-las entre o almoço e o jantar". Por isso não prevaricamos. Por cortesia e piedade!

Assim, não lemos em todos estes dias, em rigor e extensão, os boletins paroquiais do governo do eng. Sócrates ou as notícias de pesar sobre o adormecimento político da sra. Ferreira Leite; nem acompanhámos os rabichos intelectuais do imortal Alberto João, as rogativas do sr. Aguiar-Branco contra o inefável ministro Pereira ou as composições espinoteadas do dr. Lello; e deixámos de comungar, exaustos de tanta angústia, os escritos humorísticos lavrados pelo jovem João Miranda, a intensidade liberal e a esperteza ruminante dos artigalhos de Sir Carlos Espada e o movimento editorial do portentoso Henrique Monteiro. Não temos perdão! Mas – helás - sobrevivemos (como se vê), o que não deixa de ser um exercício curioso.

Não comentamos, por pudor e tédio, os negócios ideológicos privados do dr. Cavaco e os seus vetos amestrados, mesmo que venha daí, e em particular na Lei do Divórcio, alguma e sábia ponderação no meio da mais trôpega argumentação presidencial jamais publicada ou, como no caso da aprovação cavaquista da Lei de Segurança Interna, se possa declarar a falta de ousadia e aprumo em defesa do Estado de direito democrático. Conhecendo-se o dr. Cavaco e as suas retrincadas evocações ideológicas, não são de estranhar a trivialidade política, o estilo e os detalhes nisso tudo. Um pesadelo!

Deste modo, não fazemos relatórios! Até porque, se a situação nativa é de uma garotice enfastiante, já o mesmo se não pode dizer da actual situação internacional, em particular desse perigoso e pouco humorado jogo de xadrez que se trava entre uma Rússia travestida de potência política e uns EUA que se julgam a única superpotência mundial. Eis, realmente, o que nos preocupa. O resto é a indiferença cheia, como diria o poeta.

E, agora, para ledores originais e de pensamento largo, frequentadores da casa, os que escusam a fadiga e não sucumbem à crítica do tempo – essa poesia primeira –, certos que Everything That Happens Will Happen Today, aqui vos deixamos este clarão primeiro de

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