
Hoje foi dia de exposição política. No cadeiral de
S. Bento não houve tumulto nem sedição alguma. Não vimos isso, nem haveria arrojo para tanto. O anfiteatro dispensa tais delírios, aliás respeitáveis, quando se está de governo e se tem convivas
já defuntos. Naquela casa de fadas, o eng.
Sócrates, semeado de rosas pela bancada da
União Nacional, celebrou, ex-ante, a missa natalícia.
Ao seu lado direito, a cópia estava sorridente, grato de assunto, mesurando o dever de escrivão. Impecável,
Silva Pereira revela nos olhares a entusiástica admiração pelo governador da paróquia. A inclinação, astutamente para a esquerda, era encomendada pelo dr.
Santos Silva. Do lado direito do engenhoso
leader, disfarçado de ministro, estava a cabeça das corporações académicas, o senhor
Mariano Gago. Reputado e saudável. Enquanto isso, a
ala esquerda do partido rosa no governo, sem forças e sem
verve, passeava cabisbaixa pelos
Passos Perdidos. Entretanto,
Marques Mendes não atinava com a prosápia do abominável
Sócrates. O homem não se levanta, mesmo quando a agremiação do governo se deleita com inenarráveis
salazarices. E lá correu a
soirée, entre aclamações, vivas e olés.
Esta posta não ficaria sugestiva se, para nossa glória e bem à maneira do espiritualíssimo
Bettencourt Resendes, não registássemos o memorial do eng.
Sócrates. Este, em resposta a uma malvadez qualquer da canalha da oposição, e mal tomando a cadeira do discurso,
logo avisou, com autoridade, ambição e insolência, que
era corajoso. Muito
corajoso. Retorcidamente
corajoso.
Bravo como um soldado. Era a primeira vez que um primeiro-ministro adulava e tomava por suas as palavras dos
Bettencourts Resendes. Tal empréstimo será doravante a bula
Socrática. Não há nenhuma
ERC ou
ERSE, qualquer ministro
Manuel ou
Pinho, ou até mesmo um simples secretário de estado, que faça cair a soberba lúcida & grotesca do eng.
Sócrates. Coisa de pasmar!