sábado, 9 de abril de 2005


Vergílio Guerra Pedrosa [n. Vieira Leiria 9 Abril de 1895-1952]

"... As areias finas da praia [Praia da Vieira de Leiria] a sublinhar a eterna verdura dos pinheiros; a esteira luminosa do Liz, no seio dum vale pequenino e fecundo, a fazer o milagre da leiva; a litania do mar, ora manso e fagueiro, ora raivoso e truculento; o fogo do sol poente, raiado de sangue e de oiro, por entre nuvens espessas como ardósias; a orquestração da floresta, no silêncio místico da noite; a aleluia da faina da pesca em todo o movimento da vida são motivos que gritam à alma ..."

[V. G. Pedrosa, in Entre Mar e Terra, Leiria, 1933]

sexta-feira, 8 de abril de 2005

[Missão e Promissão]

"No momento de crer
criando
contra as forças da morte
a fé.
No momento da prece
orando
pela fé que perderam
os outros.
No momento da fé
crivado
com umas setas de amor
as mãos
e os pés e o lado esquerdo,
Amem
"

[Jorge de Lima, in Invenção de Orfeu]

Pablo Picasso [m. 8 Abril 1973]

[Francisco de Sá Carneiro - 31 anos atrás]

"... O programa básico do nosso Partido, há dias aprovado no Congresso, confirnou e tornou claro o carácter social democrático da via que preconizamos para a resolução das contradições e desigualdades da sociedade portuguesa (...)

O socialismo democrático que propomos é um desafio constante à participação activa de todo o Povo e apenas à dedicação dos nossos militantes.
É isso a social democracia: realização de socialismo em liberdade segundo a cadência de reformas determinada pelo voto popular, para a construção de uma sociedade liberta da exploração e da lei do lucro (...)

Nem se diga que a social democracia é incompatível com o nosso atraso. Este é real, sem que por isso a nossa situação deixe de ser muito superior à dos povos peruano ou cubano, por exemplo.
Mas a experiência da Europa mostra bem como é falso afirmar que a social democracia só é possível em países desenvolvidos.
Os países que o são hoje graças a regimes sociais democratas não o eram quando tomaram resolutamente a via do socialismo democrático (...)

A Noruega, a Dinamarca, a Finlândia, a Islândia, em parte a Áustria, não eram, nessa altura, países industrialmente desenvolvidos, com indústrias pesadas e ligeiras poderosas. A própria Suécia só o era em medida limitada (...)

Tais países não tinham, obviamente, há 30 ou 40 anos um nível cultural muito superior ao que Portugal tem hoje; nem eram grandemente desenvolvidos e industrializados; passaram a sê-lo com governos sociais democratas ..."

[Excerto do discurso de F. de Sá Carneiro, Porto, 29/11/1974, in Notas Complementares de Introdução à Política, ed. Comissão Concelhia do Porto do PPD, Fev. 1975]

quinta-feira, 7 de abril de 2005


Pastores Lusos

"Do pastor depende a boa administração do rebanho" [in Livraria do Lavrador]

Os avisos & reflexões, queixas & castigos, dos pastores da opinião pública são de um fascínio tremendo. O incauto indígena lê a pragmática desses defensores do povo, aprumados por detrás do varandim dos jornais, e teme pelos seus progenitores. Salpicados em desbragadas retóricas & empolgantes sentenças, o leitor aflito vacila entre o silêncio inclemente e a afeição ardente pelo depravado jornaleiro. Os folhetos dos escribas que pastoreiam a choupana lusa, em alegres rabiscos, retardam "o cio" político ao mesmo tempo que dão "rações suplementares" a outros lacrimantes e suspirosos cavalheiros.

Os opinadores dos jornais têm bom treino, são genuínos "cães de parar". Estão neste mister, entre outros, o alienado João Carlos Espada, o bestial Luís Delgado, o incurável José Manuel Fernandes, o copista Sérgio Figueiredo ou o habilidoso Sarsfield Cabral. As vassouradas distribuídas ao rebanho são quase sempre resplandecentes.

Esta semana a última página d'O Expresso-Actual ressuscitou o melhor de J. Carlos Espada. Engolfado sobre as dernières nouvelles dos ex-companheiros da UDP, o professor Espada aconselha as direitas portuguesas, avisa-nos dos malefícios da "introspecção acerca das definições" (ultríssimo pecado conceptual), confessa o que soletrou em Karl Popper há meia dúzia de anos e traz o recado do magno problema português - está Espada, por esta altura, em colossal agitação ante o declínio europeu, sumariando sinais para aulas de apoio pedagógico acrescido. Ora o que o professor revela animadamente é a existência de um maravilhoso "paradoxo", dito europeu, que em cordial gratidão quer partilhar. Pois que se trata? Nada menos que a infame estatização e consequente desmoralização "espiritual". Com lágrimas vertidas na face, o professor Espada, bem adestrado em "discutir soluções", atira-nos com um tal George Weigel para lavar as mãos neo-liberais, ou quiçá para nos fazer a biografia espiritual, enquanto exaura um último pensamento: o necessário e proveitoso estudo da realidade americana. Eis, pois, o elixir e novo bálsamo para a alma lusa. O nosso devir. Que cem Espadas floresçam. Temos dito.

Eleições no G.O.L.

"António Reis, Luís Vaz e Carlos Morais Santos são os três nomes até agora perfilados nas eleições para o cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, a mais antiga ordenação maçónica portuguesa que vai a votos a 4 de Junho.

As candidaturas serão analisadas pelo Grande Tribunal Maçónico no próximo dia 24 de Abril e, a partir do aval deste órgão, são consideradas oficiais, podendo os candidatos iniciar a campanha eleitoral pelas lojas espalhadas pelo país (...)

Carlos Morais Santos, há muitos anos elemento da maçonaria, é a segunda vez que concorre ao cargo de Grão-mestre, tendo estado na corrida de 2002 que acabou por eleger António Arnaut para o mais alto posto da instituição.

A candidatura deste socialista, que será formalmente apresentada no próximo dia 12, num jantar em Lisboa, diz querer assumir os lemas da «fraternidade, progresso e contemporaneidade» e, segundo o próprio, fazer com que a maçonaria «volte a construir obras sociais e não seja meramente especulativa»" [ler Aqui]

quarta-feira, 6 de abril de 2005


Erich Muhsam [n. 6 Abril de 1878-1934]

"Name? Asked the interrogator.
I told him my name.
Born?
I said: yes.
I mean when!
I gave the date.
Religion?
That's not your concern.
So, a Jew!
" [Erich Muhsam]

Locais: Erich Muhsam / Erich Muhsam (1866-1934) / Erich Muhsam; German Jewish anarchist (1878-1934) / Life And Death of Erich Musham
Livros & Arrumações

* Separata do Instituto de Cultura Italiana em Portugal, nº 4 e 5, 1941, intitulada "Dante em Portugal e no Brasil. Ensaio bíblio-iconográfico", pelo Director de Arquivo Histórico Militar de Lisboa, Cor. Henrique de Campos Ferreira Lima. O autor a partir da "interessante e valiosa exposição" (15 de Junho de 1929) realizada na Biblioteca Nacional sobre Dante, sem que houvesse a publicação de qualquer catálogo, empreendeu a tarefa de fornecer material bibliográfico sobre tudo o que se publicou em língua portuguesa "relativamente ao autor da Divina Comédia", dado a sua falta quer em Portugal ou no Brasil. Assim, além de uma introdução necessariamente explicativa - onde é sugerido algumas das "influências dantescas na nossa literatura", como em Garcia de Resende, no poeta D. João Manuel, Anrique da Mota, em Diogo Brandão, Duarte de Brito. Refere, ainda, uma provável intervenção na obra de Bernardim Ribeiro ou Camões) -, Henrique de Campos Ferreira apresenta 214 obras, entre traduções (47), comentários, críticas, biografias, livros com referência, etc., registos iconográficos, uma vária e um suplemento.

"Assim de todo mudado
Ali junto me cheguei;
E neste modo fallei
Assas bem temorisado.
Oh gentes atribuladas,
Porque razão de vós dê
Dizei a causa porque
Sois assim atormentadas!
" [Diogo Brandão, in Fingimento de amor]

Isaac Asimov [m. 6 Abril de 1992]

"Num estudo sobre "Social Science Fiction", Isaac Asimov dividiu a história da Ficção Científica em três períodos:
O primeiro estende-se desde os mais remotos e problemáticos percursores até o ano da publicação da revista Amazing Stories em 1926. É uma era amorfa, sem fronteiras precisas, descontínua, iluminada aqui e ali por esforços esporádicos e raramente conscientes.
O segundo, de 1926 a 1938, floresce a era "Gernsback". Proliferam as revistas de aventuras siderais e os "Comic Strips", umas e outras inteiramente dedicadas à manutenção do herói exagerado, viril e americano e à glória de raça humana (branca, como está bem de ver).
O terceiro, de 1938 até os dias actuais, assinala-se a consciencialização do género e o progressivo melhoramento de sua qualidade literária ..."

[in História da Ficção Científica - Uma Antologia da Ficção Científica, desde os primórdios da Literatura Fantástica até os dias actuais]

segunda-feira, 4 de abril de 2005


Aniversário

"hoje rebentou para aí um sol que não devia
deixar ninguém de fora do jubileu
eu, por mim, vos ponho assim o coração
ao léu
" [in Novas Cartas Portuguesas]

Passaram 2 (dois) anos sobre esses exercícios, sempre brandos & luxuriantes, que ao longo do tempo acompanhamos na Bomba Inteligente. Lugar de afectos que o tempo sustém, teatro do belo, primorosamente reescrito, a sua presença é a nossa glória. A nossa noute festiva. A paz ao fim do dia. Por tudo isso, daqui destas "lindas águas" do Mondego, enviamos a maior das felicitações e dos abraços.

Leilão de uma notável Biblioteca - Dias 4, 5 e 6 de Abril

Realiza-se hoje, pelas 21 horas na Casa da Imprensa (Rua da Horta Seca, nº20, Lisboa) a primeira parte do leilão de mais uma biblioteca. A cargo do livreiro-alfarrabista José Manuel Rodrigues (Largo do Calhariz, 14, Lisboa) o leilão, a continuar por mais 2 noites, possui Catálogo competente. Das 1092 peças a leiloar estão incluídas temáticas tão diversas como: "Náutica, Marinharia Portuguesa, Descobrimentos, Viagens e Explorações, Literatura, História, Arte, Ultramar, Alvarás, Mapas e Manuscritos". Uma excelente oportunidade para fazer gastos entusiastas em livros, sendo que alguns são bem difíceis de encontrar, senão já raros.

Algumas referências para a 1ª noite (dia 4): Teatro Popular Português, por Azinhal Abelho, 1968-73, VI vols / Álbum dos Costumes Portuguezes, 1888 / A Engomadeira, de Almada Negreiros, 1917 / A Invenção do Dia Claro, de Almada, 1921 / História da Igreja em Portugal, por Fortunato de Almeida, 1967-71, IV vols / Alvará. Carta de estabelecimento da Academia Geral da Marinha, 1779 / A Barca dos Sete Lemes, por Alves Redol, 1958 (mais, Anúncio, Fanga, etc.) / Tratado de Cozinha e Copa, por Carlos bento da Maia, 1904 / A Paródia, publ. sob direcção de Bordalo Pinheiro, 1903-1904, II vols, 106 nums / Livro do Monte, por Bulhão Pato, 1896 / A Campanha do Bailundo em 1902, de Francisco Cabral Moncada, 1903 / Caminhos de Ferro do Minho (lote de 7 obras), 1875 / De Angola à Contra-Costa, por Capello & Ivens, 1886, II vols / De Benguela às Terras de Iácca, idem, 1881, II vols / A Queda de um Anjo, de Camilo, 1866 / A Senhora Rattazzi, idem, 1880 / Amor de Perdição, idem / Inspirações, idem, 1851 / O Demónio do Ouro, idem, 1873 / A Ribeira de Lisboa, por Júlio de Castilho, 1940-45 (2ª ed.), V vols / Flores de Coral. Últimos Poemas, de Alberto Osório de Castro, Dili, 1908 / Manual de Prestidigitação, mais, Primavera Autónoma das Estradas, por Mário Cesariny Vasconcelos / Quadros da História de Portugal, junto com Folheto explicativo dos Quadros, por Chagas Franco & João Soares, 1932 e 1929 resp. / Os Ciganos de Portugal, por F. Adolpho Coelho, 1892 / Compendio Histórico do Estado da Universidade de Coimbra no tempo da invasão dos denominados Jesuítas ..., Lisboa, 1772 / O Amor em Portugal no Século XVIII (ilust. de Alberto de Sousa), por Júlio Dantas, 1917 (2ª ed.) / Os Macondes de Moçambique, por Jorge Dias, 1964
A propósito de algum anti-clericalismo

"Bom observador é aquele que guarda com cuidado o que ainda pode servir, exactamente como é bom revolucionário o que poupa o que ainda é útil: quem teima em conservar aquilo que já está bem roído de traça e de desfaz ao menor toque é apenas avarento ou desmazelado; quem deita fora sem escolher desatento ou furioso" [Agostinho da Silva, in Carta Vária]

"A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio; quem apareça manchado de superstição ou de fanatismo ou incapaz de separar e distinguir ou dominado pelos sentimentos e impulsos, não o tomarei eu como guia do povo; antes de tudo uma clara inteligência, eternamente crítica, senhora do mundo e destruidora das esfinges; banirá do seu campo a histeria e a retórica; e substituirá a musa trágica por Platão e os geómetras" [idem, in Considerações e Outros Textos]

Karol Józef Wojtyla (1920-2005)

"A guerra nunca é uma fatalidade. Ela é sempre uma derrota da humanidade. O direito internacional, o diálogo franco, a solidariedade entre os Estados, o exercício tão nobre da diplomacia, são os meios dignos do homem e das nações para resolver as suas contendas (...)

E que dizer das ameaças de uma guerra que se poderia abater sobre as populações do Iraque, terra dos profetas, populações já extenuadas por mais de doze anos de embargo? A guerra nunca pode ser considerada um meio como outro qualquer, que se pode usar para regular os diferendos entre as Nações. Como recordava a Carta da Organização das Nações Unidas e o Direito Internacional, não podemos recorrer a ela, mesmo quando se trata de garantir o bem comum, a não ser como última possibilidade segundo condições muito rigorosas, sem negligenciar as consequências para as populações civis durante e depois das operações militares"

[Discurso de João Paulo II, proferido ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé na audiência de 13 de Janeiro de 2003]

quarta-feira, 30 de março de 2005


4 - Aniversários - 4

Ah! Aniversariantes magníficos. As cerimónias resplandecentes que pressentimos nestes dias, têm dobrado merecimento. Vós sois o nosso amparo. A nossa salvação. E a nossa ruína, também. Neste remanso de solidão em terras do Mondego, lançamos à Montanha Mágica, ao Fumaças, ao Paulo Querido e às Musas do nosso coração, a maior das felicidades. Já estamos a comemorar.