EXPOSIÇÃO: Centenário da Morte de Camilo Pessanha;
LOCAL: Biblioteca Municipal da Figueira da Foz;
DATA: 2 de Novembro a 4 de Dezembro;
ORGANIZAÇÃO: BMFF, GAAC, CLP, Alma Shopping
A Biblioteca Municipal da Figueira da Foz inaugurou hoje uma
exposição sobre o poeta Camilo Pessanha, evocando o centenário do falecimento
desta figura grande do simbolismo português. Camilo Pessanha (1867-1926) foi advogado,
conservador do registo predial, juiz, professor do liceu Normal de Macau, poeta,
interessante coleccionador de arte chinesa, jornalista, republicano, maçon
(Irmão Angélico) da loja Luís de Camões (Macau), intelectual respeitado pela
sua erudição invulgar.
Camilo Pessanha, contrariando a tendência de outros colonos que viviam
isolados da comunidade local, mergulhou profundamente na cultura e na língua
chinesas: traduziu poemas locais (veja-se as Elegias Chinesas), foi um curioso colecionador
de porcelanas, e pinturas chinesas, tendo ofertado a sua valiosa coleção ao
Estado português, pertença do Museu Nacional Machado de Castro (Coimbra). Seja
dito que o seu espólio deu uma nova dimensão ao Museu Machado de Castro, quando
inaugurou (1937) uma sala exclusivamente dedicada a valorizar as porcelanas,
bronzes, jades e pinturas reunidos pelo poeta, tornando Coimbra um ponto de
referência para o estudo da sinologia em Portugal.
Por sua vez, a atividade de Camilo Pessanha na poesia e no
jornalismo revela o génio poético avesso à publicação, cuja obra-prima (Clepsidra)
quase se perdeu no tempo; por outro lado, o republicano e intelectual combativo
na imprensa, usava os periódicos para intervir na política colonial e na defesa
da cultura chinesa. A sua poesia rompeu com o realismo da época, no uso de
sinestesias, na fragmentação, por uma musicalidade de palavras, na dor
existencial e no tédio, tendo influenciado profundamente a geração de Fernando
Pessoa e a revista Orpheu.
A EXPOSIÇÂO está patente ao público até 4 de Dezembro.


