segunda-feira, 2 de novembro de 2026

[FIGUEIRA DA FOZ] EXPOSIÇÃO CAMILO PESSANHA





EXPOSIÇÃO: Centenário da Morte de Camilo Pessanha;

LOCAL: Biblioteca Municipal da Figueira da Foz;

DATA: 2 de Novembro a 4 de Dezembro;

ORGANIZAÇÃO: BMFF, GAAC, CLP, Alma Shopping

A Biblioteca Municipal da Figueira da Foz inaugurou hoje uma exposição sobre o poeta Camilo Pessanha, evocando o centenário do falecimento desta figura grande do simbolismo português. Camilo Pessanha (1867-1926) foi advogado, conservador do registo predial, juiz, professor do liceu Normal de Macau, poeta, interessante coleccionador de arte chinesa, jornalista, republicano, maçon (Irmão Angélico) da loja Luís de Camões (Macau), intelectual respeitado pela sua erudição invulgar.

Camilo Pessanha, contrariando a tendência de outros colonos que viviam isolados da comunidade local, mergulhou profundamente na cultura e na língua chinesas: traduziu poemas locais (veja-se as Elegias Chinesas), foi um curioso colecionador de porcelanas, e pinturas chinesas, tendo ofertado a sua valiosa coleção ao Estado português, pertença do Museu Nacional Machado de Castro (Coimbra). Seja dito que o seu espólio deu uma nova dimensão ao Museu Machado de Castro, quando inaugurou (1937) uma sala exclusivamente dedicada a valorizar as porcelanas, bronzes, jades e pinturas reunidos pelo poeta, tornando Coimbra um ponto de referência para o estudo da sinologia em Portugal.

Por sua vez, a atividade de Camilo Pessanha na poesia e no jornalismo revela o génio poético avesso à publicação, cuja obra-prima (Clepsidra) quase se perdeu no tempo; por outro lado, o republicano e intelectual combativo na imprensa, usava os periódicos para intervir na política colonial e na defesa da cultura chinesa. A sua poesia rompeu com o realismo da época, no uso de sinestesias, na fragmentação, por uma musicalidade de palavras, na dor existencial e no tédio, tendo influenciado profundamente a geração de Fernando Pessoa e a revista Orpheu.

A EXPOSIÇÂO está patente ao público até 4 de Dezembro.