domingo, 1 de novembro de 2026

DE REGRESSO AO VOSSO ACONCHEGO



“pela vossa cintura a haste de uma flor” [P. Éluard]

Saudade será sempre a nossa ferida. Vale-nos a memória, as noites do Almanaque & a luz da terra e do céu. Mas, num mundo partido, “entre uma flor colhida e outra dada”, mas bem atentos à decadência da res publica, regressamos ao V. aconchego. Regressamos, porque hoje é o “tempo das resistências locais e das revoltas espontâneas” e, neste sinal de vida, por termos bom senso, retornamos para o testemunho da ranhura deste delirante tempo de grandes naufrágios.

Não invocamos os deuses, não prometemos mansidão ou língua de sombra, não temos “hora do pastor”. Nesta nossa inquietude, nada temos a prescrever. A nossa Oração é um exercício pelo acordar do mundo, um lugar trêmulo por palavras (outras) ocultas e um cante gratuito a espíritos varonis, geometria de um olhar de frente para a vida. Resta-nos sussurrar o verbo ser com o verbo estar, porque “só o tempo é nosso”.   

Ainda acreditamos na Liberdade e na Poesia; uma e outra que “fecha a porta aos imbecis”. 

Vale!