domingo, 29 de abril de 2007


Leilão de uma Biblioteca - 7, 8 e 9 de Maio

Biblioteca de um Historiador do Livro (Parte II) - eis a continuação do leilão (de um total, presumivelmente, de cinco) do que dissemos ser "a copiosa [e valiosa] livraria de um dos ‘mestres’ da história do livro e bibliófilo alumiado, o dr. Artur Anselmo". Vale a pena reler o que em post anterior referimos.

O leilão desta II Parte decorre nos dias dias 7, 8 e 9 de Maio, pelas 21 horas, no Amazónia Lisboa Hotel (ao Jardim das Amoreiras), e estará a cargo de Pedro Azevedo, conceituado leiloeiro e profundo conhecedor da actividade do livro antigo, que, como sempre, apresenta um distinto e estimado catálogo.

Algumas referências (I Sessão/noite): Academia dos Singulares de Lisboa, 1692-1698, II vols / Acção Realista: revista quinzenal (monárquica), nº 1 (22 de Maio de 1924) ao nº 32 (Outubro 1926), 32 numrs / Almanach isrealita ‘Meoded’ para o anno 5677 (de 28 Setembro de 1916 a 16 de Setembro 1917), publicado por Samuel H. Mucznick, Hazan da Synagoga ‘Shaaré Tilvá’, Schojet e Mohel do Comité Isrealita de Lisboa, 1916 / Almanaque, publicação mensal, sob dir. J. A. de Figueiredo e or, gráfica de Sebastião Rodrigues, Outubro 1959 a Maio 1961 (col. O'Neill, Cardoso Pires, Vasco Pulido Valente, Stauu Monteiro, Baptista Bastos, Abel Manta, Sophia, etc.), 20 numrs / Os Gatos, de Fialho de Almeida, 57 numrs (Agosto 1889 a Janeiro 1894) / Alvorada: revista litteraria mensal, dir. Paulo Osório, 1896, 3 numrs / Adolescente, de Eugénio de Andrade, 1942 / Annona ou mixto-curioso. Folheto semanal que ensina o methodo de cosinha e copa, ..., nº1 a nº 36 (1836 a 1837), 35 numrs (total 36) / Cartas Espirituais do venerável padre Frei António das Chagas, 1762, II vols / Aqui e Além: revista de divulgação cultural, dir. Carlos A. Dias Ferreira, nº1 a nº5 (Março-Abril 1945 a Outubro 1946), V numrs / Archivo Pittoresco: semanário illustrado, vol I a vol Xi (Julho 1857 a 1868), XI vols / Arte Livre: revista semanal de arte e literatura, dir. Azevedo Coutinho, nº1 a nº6 (1897), 32 numrs [Queirosiano] / A Arte, dir. A. de Sousa e Vasconcelos, volI a vol III (Jan. 1879 a Set. 1881), III vols [Camiliano] / Arte & Vida: revista d'arte, critica e sciencia, dir. Manoel Sousa Pinto e João Barros, 1904-1905, 9 numrs (compl. 10) / Arte: revista internacional, dir. Eugénio de Castro e Manuel Silva Gayo, 1895-1896, 4 numrs / O Atheneu artístico-litterario: gazeta illustrada, dir. Ferreira de Brito, 1880-1881, 52 numrs / O Bardo: jornal de poesias inéditas, Março 1852 a Março 1854, 25 numrs / Bibliotheca familiar, e recreativa offercida á mocidade portugueza, 1835-36, 38 numrs / Boletim da Casa de Camilo (III primeiras séries completas), 1964-1988, 64 numrs / Conjunto Obras de António Botto / Monarchia Lvsitana (todos os volumes da 1ª ed.), de Frei Bernardo de Brito e Frei António Brandão / Flora Lusitanica, de Félix de Avelar Brotero, 1804, II vols / Vida de Dom Frei Bertolomev dos Martyres da Orde dos Pregadores, por Frei Luis de Cácegas, 1619 / Cadernos de Poesia, org. Tomaz KIm, José Blanc Portugal, Ruy Cinatti, 1940-42, 5 folhetos / Cadernos do meio-dia, coord. António Ramos Rosa, Casimiro de Brito, 1958, Faro, 3 numrs / Rimas Varias de Luis de Camoens, 1685-1689, V tomos / Cancioneiro de Ajuda, ed. Carolina Michaelis Vasconcelos, 1904, II vols / 37 Obras [invulgares e raras] de Camilo Castelo Branco / Catálogo do I Salão dos Independentes ..., 1930 / Chronica constitucional do Porto (nº1 a nº144; e nº 1 a nº308), 1833 [órgão oficial do exercito liberal) / A Cidade de Évora: boletim da Comissão Municipal de Turismo de Évora, 1942-1987, 70 numrs / Lendas da Índia, de Gaspar Correa, dir. Rodrigo Felner, 1858-64, IV vols / Almocreve de petas, de José Daniel Rodrigues da Costa, 1797-1819, 137 folhetos / várias Obras [folhetos, contos, rimas] de José Daniel Rodrigues da Costa

quarta-feira, 25 de abril de 2007


25 de Abril de 1974 ... a palavra ...

"A palavra, como tu dizias, chega
húmida dos bosques: temos de semeá-la;
chega húmida da terra: temos que defendê-la;
chega com as andorinhas
que a beberam sílaba a sílaba na tua boca
"

[Eugénio de Andrade]

terça-feira, 24 de abril de 2007


Catálogo Bibliográfico 15 da Livraria D. Pedro V

Saiu o Catálogo Bibliográfico do mês de Abril da Livraria D. Pedro V (Rua D. Pedro V, 16 - Lisboa).

Algumas referências: Conjunto de livros estimados de António Botto [Cvriosidades Estheticas, 1924 - Cartas que me forma devolvidas, 1932 - Alfama, 1933 – Ciúme, 1934 - Dar de beber a quem tem sede, 1935 – Sonetos, 1938 - Baionetas da morte, 1936 - 9 de Abril, s.d – Não é preciso mentir, 1939 – Motivos de belleza, 1923 - Isto sucedeu assim, 1940] / Poemas e Fragmentos, de Bertold Brecht, Coimbra, 1962 / A Grande Opção: servir ou destruir Portugal, por Marcello Caetano, 1973 / Amor e Melancolia ou a Novíssima Heloisa, de António Feliciano de Castilho, 1828 / O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha, Cervantes, 1876, II vols / A Cidade Queimada, de Mário Cesariny Vasconcelos, 1965 / O Minho Região de Beleza Eterna, por José Crespo / Trovas de Coimbra, de A. Gonçalves Cunha, 1931 / Estática e Dynamica da Physionomia, por Júlio Dantas, 1909 / Oiça António Ferro, por Artur Inês, 1933 / À Lareira, de Júlio César Machado, 1872 / A Vida Sexual, de Egas Moniz, 1904 / Mundo Português. Imagens de uma Exposição Histórica, 1940 / Passagem de Nível, de Sidónio Muralha, 1942 / Só, de António Nobre, Lisboa, 1898 / Las Razas Humanas, por Federico Ratzel, 1888, II vols / As Encruzilhadas de Deus, de José Régio, 1935 / Vasco Fernandes e os Pintores de Viseu do Século XVI, 1946

segunda-feira, 23 de abril de 2007


Dia Mundial do Livro

Antena 1 - Francisco José Viegas sugere-lhe um Livro, hora a hora.

Em Lisboa: Casa Fernando Pessoa [MegaSaldos] / Dia Mundial do Livro na Hemeroteca Municipal de Lisboa [livros e periódicos à venda] / Lisboa Cidade do Livro [ver programação aqui] / Feira do Livro

[via Mundo Pessoa]

sexta-feira, 20 de abril de 2007


III República - 33 Anos depois do 25 de Abril

A Alma Republicana passa também, como não podia deixar de ser, pelo retrato da III República, que o 25 de Abril de 1974 abriu. Não é possível esquecer essa aurora do céu português, que mulheres e homens durante longos anos, com ânimo, esperaram. E foram muitos que, contra o medo e a tirania, conspiraram e lutaram. Alguns deles não viram chegar esse "dia inicial inteiro e limpo", como Sophia pronuncia, mas ficaram para sempre na história colectiva da República. Outros entraram pelo 25 de Abril dentro, com alegria, ilusões e utopias. De diferentes condições sociais e distintas matizes políticas, com sorrisos e percursos ideológicos diferentes, as esperanças de Abril dominaram todos nós. Com entusiasmo, incerteza, revolta, desilusão, tragédia e dúvidas, o caminho feito por cada um de nós, e por todos, a memória não pode nem deve esquecer.

O Almanaque Republicano, a partir de agora, pretende recuperar factos e acontecimentos esquecidos, personagens, grupos e organizações que atravessaram e suportaram o período do Estado Novo até à III República, recolhendo do passado os ventos que a "Revolução de Abril" de 1974 sacudiu. 33 anos depois, temos muito que conversar. 33 anos depois, temos muito para lembrar. Que assim seja.

[via Almanaque Republicano]

Tem dor e tem puta - Mário Cesariny, ed. Biblarte, 2000

O Leilão anunciado por nós aqui e que pode ser consultado on line, apresenta cada vez mais fotos e imagens das peças que vão estar à venda. E algumas são de excelente qualidade, como aquela que, acima, atiramos sobre as vossas cabeças. Mário Cesariny ao V. dispor.

O Leilão terá lugar dia 12 de Maio, às 16 horas, no Centro Cultural de Belém, sala Vieira da Silva. Tome nota. A não perder.

Até tu ... Soares!

O dr. Mário Soares, o original Mário Soares que o bom siso (antigo) louva, não precisava de ser o "bombeiro" do actual grupelho socialista. Retirado estava, virtuoso ficava. Nem devia participar numa peça velha e por demais gasta, de misantropia partidária e ímpeto evangélico, invocando, sem discernimento algum, personagens tão diferentes entre si – em carácter, robustez ética e intelectual - como Ferro Rodrigues e José Sócrates. As palavras proferidas, aqui, presumidamente irreflectidas, transformam doravante o PS num imenso vaudeville, em que deploravelmente o dr. Soares ombrearia, lado a lado, com o inefável Jorge Coelho em actor principal, os manos Sócrates & Silva Pereira como excelentes debutantes, a inenarrável criatura dos brados José Lello como palrador e José Junqueiro, o homem dos raids ministeriais, como empresário. O dr. Mário Soares estará, talvez, desgastado. Mas convinha não abusar do enorme capital que granjeou e não desbaratá-lo entre gente pouco recomendável. Senão caímos no eterno problema da democracia: "é que quando o povo toma o palácio esquece-se sempre de puxar o autoclismo" [corrigenda de uma outra de Millôr Fernandes]. Não há vaidades transparentes. O dr. Soares devia sabê-lo.

segunda-feira, 16 de abril de 2007


Gustave-Henri Jossot (ou Abdul Karim Jossot) [n. 16 Abril 1866–1951]

Nascido em França, Gustave-Henri Jossot foi um ilustrador famoso, caricaturista virulento e escritor. Ideologicamente perto do anarquismo, participou em importantes revistas satíricas (como L'Assiette au beurre, 1900) e libertárias do seu tempo. Vai para a Tunísia e aí converte-se (1913) ao Islão, [adoptando o nome de Abdul Karim, no que foi entendido como «une réaction de l’âme contre la civilisation mécaniste»] tendo mais tarde (1923), e como resultado do seu individualismo contemplativo, seguido a corrente sufista (mística). Morre na Tunísia em 1951.

Locais: Gustave-Henri Jossot / Gustave-Henri Jossot (1866-1951) / Islamic Anarchism

A biblioteca particular de Calouste Gulbenkian

"Como se sabe, não sou um bibliófilo especializado, e nunca me aventuraria a comparar a minha aptidão e os meus conhecimentos aos seus, mas sou infalivelmente atraído por toda e qualquer expressão de arte e beleza, e esta atracção sempre me inspirou relativamente a todas as secções da minha colecção"

[Calouste Gulbenkian, Carta ao antiquário Marinis (Florença), Junho de 1948, in Retrato do bibliófilo, Expresso-Actual, 14/04/2007]

No dia 19 de Abril, o site da Biblioteca Particular de Calouste Gulbenkian será inaugurado. Ler aqui.

sábado, 14 de abril de 2007


Uma questão de Carácter

"O político tem como o perdigueiro a analogia de farejar e levantar a caça" [L. A. Palmeirim]

A laboriosa carreira política do eng. Sócrates, pelo que se ouve e lê, estaria, segundo alguns iluminados, para continuar. A delicada questão da sua putativa via académica, inevitavelmente nunca existiu. É o que redizem por aí, em santa harmonia, modestos comentadores, o esculápio Menezes, dois ou três puristas de estratégia, o dr. Coelho e o cintilante spin doctor Luís Paixão Martins. Aliás o eng. Sócrates está aqui para nos salvar do mal, que como se sabe é impetuoso e infame. É assim no martírio da educação ou no festim do choque tecnológico, com ou sem OTA e TGV, entre o enrugado SNS do altíssimo dr. Campos ou no virote do castigado défice. Os aplausos do raminho afamado de politólogos do reino, em trechos enturvados de emoção, são o melhor momento deste Portugal perfeito.

Portanto, os amotinados da coisa pública, entre uns petiscos vulgares para correr o fastio da iteração do dizer político, regressam rápido, de régua e esquadro na mão, aos cenários masturbatórios da análise estadística. Não espanta, provavelmente, que nenhuma barrela política, que muitos com excessiva ingenuidade aguardam há muito, tenha lugar. Os sábios colunistas não o permitiriam, o indizível júbilo da canalha não consente e, mesmo, a PGR parece que não engendra desacato algum em toda esta história. Deste modo, questões como o "carácter", a "credibilidade" e a "confiança" do primeiro-ministro de um país europeu, não vêm ao caso. Há é que governar!

Este curioso prenúncio atesta bem como Portugal - o país mais atrasado de todas as Europas - está sujeito não só às epidémicas palavras do conciliábulo da classe dirigente ou dos seus patronos, como ainda se solidariza com o ludíbrio dos profissionais da política. A civilização nativa é uma lamúria episódica. Como o carácter ou a sua falta. O resto, sim o resto, é que nunca é uma perda de tempo. Salvé nobres cidadãos!

quarta-feira, 11 de abril de 2007


In-Libris - Catálogo Extra Ecologias Abril 2007

Curioso Catálogo da In-Libris (Porto), todo ele dedicado à temática da terra e da vida, com estimados e há muito esgotados livros de agricultura, botânica, zoologia, medicina tradicional, ciências naturais, alimentação e receitas caseiras, etc.

A consultar on line.

segunda-feira, 9 de abril de 2007


Mariano Gago e o caso Unigate

Um animado Mariano Gago consumiu a sua (há muito esperada) conferência de imprensa com factos confusos quando não obscuros e proclamou aos indígenas, sob uma encantadora indignação muito fora de prazo, um provisório encerramento compulsivo da Universidade Independente. A vexatória questão Unigate, a desvergonha do funcionamento (financeiro, curricular e pedagógico) daquela instituição de ensino privado e a solenidade do acto público, assim o exigia. Muito bem.

Porém, mesmo que a imaginação de quem respeitosamente o ouviu seja piedosa, parece que as piores das circunstâncias permanecem. O formidável trabalho de expurgação sobre a situação irregular da Universidade Independente, levado a cabo pela conferência de imprensa de hoje, e, do mesmo modo, a clarificação sobre o balbúrdia que foi a Universidade nos tempos idos de 1995/1997, rendeu muito pouco. A vassourada de Mariano Gago não foi higiénica, nem produziu efeitos. A questão, longe de se dissipar, permanece e agrava-se mesmo, tais as contradições presentes e, principalmente, a repugnante ousadia do Ministro em defesa de um ensino sem qualidade sustentado em certificados ou no esperançado canudo, sem que se prescreva a necessidade de esforço, de trabalho, de rigor e validade científica e pedagógica. E, aqui, reside a questão central em todo este caso Unigate. Aliás, pode dizer-se mesmo, de todo o ensino privado e público, do básico ao secundário, do superior ou cooperativo.

Não nos ocupamos, pois, do caso da credibilidade (ou não) do senhor primeiro-ministro, por muito respeitosos possam ser os admiráveis argumentos de Mariano Gago ou mesmo se tal provoca qualquer "regozijo" na canalha partidária. Convenhamos, apenas, que o discurso utilizado por Mariano Gago não é rigoroso nem justificado. Bastará referir a necessidade da existência de um continuidade curricular e pedagógica numa Universidade recém aberta (o que não se verificou entre 1995/97) e atender ao facto que as irregularidades existirem há muitos anos atrás, sem que o controle por parte da Inspecção-Geral da Ciência e do Ensino Superior tenha detectado qualquer falta séria.

Assim, o facto de a UNI passar, de um momento para outro, de uma instituição a funcionar normalmente para registar, depois, um "calamitoso" e "lastimoso" estado de degradação, só ornamenta a frontaria de quem quer. O que é evidente é que uma Inspecção Geral de Ensino que está dependente da tutela, por muito que os senhores inspectores consigam a proeza de terem estatuto de independência e autonomia, não pode apresentar nunca o vigor e a energia que se pretende e que, eles mesmo, exigem e aspiram. Saber que na velha Inglaterra a inspecção de ensino está afecta à Rainha, fora do compadrio partidário e da caridade política, diz muito e explica, também por aqui, a situação do ensino e da educação na paróquia. Vai-se seguir tal exemplo de idoneidade, ou irá continuar esse sentimento de indiferença e de imoralidade? Que o diga Mariano Gago, se para tal estiver interessado.

Homenagem a Adriano Correia de Oliveira [n. 9 Abril 1942 -1982]

"Eu canto para ti um mês de giestas
Um mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada

Eu canto para ti um mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema ...
"



Hoje, dia 9 de Abril, na data de nascimento de Adriano Correia de Oliveira e em sua homenagem, a Câmara Municipal da Marinha Grande promove uma sessão, exposição e espectáculo musical à sua memória. Ao cantor e, principalmente, ao excelente homem que foi, e hoje muito injustamente esquecido, será feito o devido e justo reparo. Finalmente.