
Nesta quadra natalícia, onde as lamúrias são infantilmente sonegadas (obra do incansável
Silva Pereira) e os danos bem diluídos em irónicos
fait-divers, não se sabe bem quais os mais astutos dos posporrentes. Se bem que tal não importune os indígenas - entretidos em futebóis, nas sandices de
Carolina Salgado &
Pinto da Costa, ou em visitas às dunas da
Caparica - nota-se que, duma assentada, desponta um raminho de
opinion-makers e jornalistas amestrados, que é um regalo ver e ler.
Para acompanhar o raminho saltareco (o bloco central sempre gerou estas graciosas criaturas), que como praga se instala por todo o lado (e, curiosamente, até nos jornais e
blogs), surgem por aí uns ladrilhadores políticos ou económicos que espantam pela monotonia do espectáculo.
Está neste caminho de audácia o arrependido
Silva Lopes, em jogo de braços contra o
BCE enquanto namorisca (ainda e sempre) o
PEC, e mais uns economistas disfarçados, inchados de nada entenderem do que se está a passar. Todos eles, em
delicados pensamentos, escandalizam-se com o aumento das taxas de juro do infame
BCE. A cacofonia não chega sequer à fronteira. Podemos descansar. O eng.
Sócrates agradece o zelo académico, depois da consoada.
Com outro sabor,
Sócrates, o ainda presidente do partido socialista do governo, para subliminar, propõe uma "
new direction" na "
agenda entre a Europa e os americanos". Assim mesmo. Os indígenas americanos, obscenamente, dispersaram em paz. Nós por cá esperamos que o engenheiro responda, se este nosso pragmático
amigo o permitir, à
pergunta de algibeira:
ouve ou não conivência do Estado português para o sequestro de cidadãos pela CIA? Ah! E faça-nos a fineza de mandar o atrevido
Jaime Gama a banhos, principalmente quando temos visitas da
Europa civilizada. Agradecido!
Enquanto isso o inefável
Luís Amado anda atrás do "
paradigma pós-colonial" perdido. Fantasias natalícias. Do mesmo modo, eis que aparece a fronte enlevada de
Judite de Sousa a jurar que a "
senhora Maria Cavaco Silva [podia ser]
a Hillary Clinton" portuga. Extraordinário. A intensidade da época natalícia é uma chiadeira. Note-se só, como o ungido
Cravinho (o pai das
Scuts) vai de esculpir para o território doméstico a futurista "italianização", via lugarejo da corrupção. Com efeito, a trovoada de ditos e
fait-divers é, deveras, incomensurável que nem é preciso esperar pelo festivo
Alberto João para os encómios natalícios. Não há estação tão mundana como esta. Nem alarido. E o país? Que será feito dele!?