terça-feira, 17 de outubro de 2006


Livraria Artes & Letras - Catálogo

... assim mesmo se pode ler na capa do último Catálogo da Livraria Artes & Letras, dado à luz pelo estimado livreiro antiquário do Largo da Trindade, 3-4, Lisboa. 1809 peças à venda, versando Antropologia, Enologia, Bibliografia, Culinária, Gastronomia, Vinhos, Direito, Ensaio, Filosofia, História, Lisboa, Literatura, Literatura Africana, Mar, Marinha & Pesca, Música, Teatro e Ultamar. O site está em remodelação, pelo que a espera ... desespera.

Algumas referências: Malaposta, de Azinhal Abelho, 1945 / Poema primeiro, por António Aragão, 1962 / Na senda da poesia, de Ruy Belo, 1969 / vários de António Botto [Cantares, 1928, 2º ed. / Ciúme. Canções, 1934 / O meu amor pequenino, 1934 / The Childen's book] / O Pobre de pedir, por Raul Brandão, 1931 / Memória descritiva, de Rui Cinatti, 1971 (mais 3 outros do mm autor) / A Área. Ode didáctica na primeira pessoa, por João Pedro Grabato Dias (aliás ps. de António Quadros), 1971 / Mar Alto, de António Ferro, 1924 / Agiológico rústico. Santos da minha terra, de Tomas da Fonseca, 1957 / Engrenagem, de Joaquim Soeiro Pereira Gomes, 1951 / A Torre de Babel ou a porra do Soriano seguida de as musas, por Guerra Junqueiro, 1979 / A Pata do pássaro desenhou uma nova paisagem, de Manuel de Lima, 1972 / É proibido apontar. Reflexos de um burguês, de José Rodrigues Miguéis, 1964 / Lote de Wenceslau de Morais (ref. Aquela tremenda gargalhada, 1954, etc.) / O segredo do Ouro Preto e outros caminhos, de Vitorino Nemésio, 1954 / Lote de Luiz Pacheco (ref. Critica de Circunstancia, 1966, O libertino ...) / Paquita, de Bulhão Pato, 1894 / Antologia de poemas portugueses modernos, 1944 (ed. por Fernando Pessoa e António Botto em 1929) / Sobre Sade diga-se que (plaquete Surrealista assim. por António José Forte, Ricardo-Dácio, Bruno da Ponte, Manuel de Castro, Ernesto Sampaio e Virgílio Martinho) / Obras de Eça de Queiroz (ed. centenário), XV vols / Espólio, de Alves Redol, 1943 / Lote de José Carlos Ary dos Santos (ref. Insofrimento in sofrimento, 1969) / Lote de Mário Cesariny Vasconcelos / In Memoriam de Ferreira de Castro, 1976 / Portuguese hebrew grammars and grammarians, por Moses B. Amzalak, 1928 / Sousa Viterbo e a sua obra, de Victor Ribeiro, 1915 / Poemas, de Reynaldo Ferreira, 1960 / Terras do sol, e da febre ?, por Julião Quintinha, 1932 / Arqueologia e História, X vols, 1922-32 / Historia da Expansão Portuguesa no Mundo, de António Baião, 1937-40, III vols / Da reorganização social dos trabalhadores e proprietário, por João Bonança, 1875 / Economia Política, de Bento Carqueja, II vols, 1926 / Cartas Políticas, por João Chagas, 1908-10, V vols / A verdade Monárquica, de Alberto Monsaraz / Lote de António Sardinha (ref. A Epopeia da Planície, 1915) / Figuras Gradas do Movimento Social Português, por Alexandre Vieira, 1959 / Nobreza de Portugal e do Brazil, por Afonso Eduardo M. Zuquete, 1960-61, III vols / Crime de cárcere privado. A censura medica pelo Tribunal da Boa-Hora, por José de Castro, 1909 / Tradições populares e vocabulário da Guarda, por A. Gomes Pereira, 1912 / Obras de Júlio de Castilho (A Ribeira de Lisboa; Lisboa Antiga Bairros Orientais; O Bairro Alto de Lisboa) / O Carmo e a Trindade, de Gustavo de Matos Sequeira, 1939-41, III vols / Colecção de Leis sobre a Pesca desde Março de 1522 até Janeiro de 1891 / Angola (Para uma nova política), de Henrique Galvão, 1937

segunda-feira, 16 de outubro de 2006


Arrumações - Vynil, CD's e Cassetes Piratas

Ainda não caímos no sono fútil ou bodas de Sócrates, em que o politicamente acertado é uma astúcia simplória que muitos cantam, nos jornais, em frementíssimas palavras. Não nos tresmalhamos na mísera cantata dos estouvados do bem público. Assistir ao dr. Pinho metendo os pés pelas mãos na economia, não nos aborrece, na medida que a inteligência não é inspiração sua. Observar o eng. Sócrates a cogitar aos indígenas da rosa, em raids patrulhados pelo país, não nos impressiona nada. Com Salazar ou Cavaco, o canibalismo era o mesmo. Entender a Ministra da Educação é tarefa que não desejamos ao nosso melhor arqui-inimigo. Não há pedagogia que aguente. E descobrir o S.N.S. sobre a farpela branca do dr. Correia de Campos é elogio demasiado para nós. Preferimos sempre os originais, a todos estes formadores.

Por isso, deixamos aos críticos do dr, Cavaco Silva, Ferreira Leite, do embotado dr. Vítor Constâncio, do dr. Barroso & dr. Lopes ou aos néscios aduladores destes exquisitos socialistas no governo, a improvisação das discursatas de apoio ou esconjuração. Estes últimos extraordinários 30 anos são prenhes de luminárias de estatura moral minguada. Por isso os escombros são de boa qualidade.

Por cá, nesta nossa botica, a rebeldia (agora coisa pecaminosa para uns) é um pergaminho que se usa com vaidade. Nada por cá está amodorrado. O nosso rosário ainda é esse sonho, iradíssimo, do desejo de viver. Porque, como diria Ernesto Sampaio: "O cómico é a impotência". Vate retro!

Assim, para os inocupados da retórica, para aqueles que fatigados de toda a laudatória ainda sorriem, para admiradores de outras musicalidades que em tempos acariciaram o tempo & a pedido de várias famílias e alguns filhos varões, eis de fugida para ritmar gramáticas perdidas de 77 ... o

G.A.C. (Grupo de Acção Cultural) - Ir e VirCastpost


Eu sou
o mais boquiaberto
dos ministros

Estas finanças
doem
como um calo.

Estas finanças
devem ser um galo
cantando o ouro
que urinam
as crianças

Estas finanças
devem ser um falo
ubérrimo Brasil
de esquálidas
donzelas.

[Armando da Silva Carvalho, Cinco Almas Triviais, in Os Ovos d'Oiro, 1969]


... dizem - alguns indígenas - de Sócrates.

domingo, 15 de outubro de 2006


Revista Sema

Sema (Primavera de 1979 e Junho 1982), revista de muita memória, foi uma publicação trimestral de artes e letras, sob direcção de João Miguel Barros e Maria José Freitas, de que saíram 4 números. Todos de muita estimação.

"A divulgação, a critica, a polémica: sim, mesmo que façam ferida. Fundamentalmente, a intervenção no âmbito das letras e das artes. Numa palavra: da sensibilidade ..." [nº1]

Apresenta um rol notável de colaboradores [Al Berto, Álvaro Lapa, Almeida Faria, Ana Hatherly, António Areal, António Maria Lisboa, Carlos Eurico da Costa, Carlos Nejar, Cruzeiro Seixas, Melo e Castro, Eugénio de Andrade, Ernesto Sampaio, Fernando Martinho, Helder Moura Pereira, João Miguel Fernandes Jorge, Jorge de Sena, José Augusto França, José Bento, Jorge Fallorca, Luís Miguel Nava, Manuel Hermínio Monteiro, Maria Estela Guedes, Mário Henrique-Leiria, Nuno Júdice, Pedro Oom, Philip Larkin, Raul Carvalho, Vítor Silva Tavares ... entre muitos]. Referência em especial ao nº1 (Sobre as Vanguardas, dossier Surrealismo em Portugal), nº2 (Cultura e Contracultura), nº3 (Revistas Literárias) e nº 4 (As Perspectivas Actuais da Cultura Portuguesa).

TEATRO DOS ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA


TEUC - Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra

A Ilha dos Escravos (Marivaux): encenação de Luís de Lima, Coimbra, 1969

"Rio-me das regras e não vejo nisso grande mal; o nosso espírito não merece, muitas vezes, que lhe prestemos tanta atenção" [Marivaux]

quinta-feira, 12 de outubro de 2006


O sindicalista

João Proença, o sindicalista que foi possuído pelo amor aos trabalhadores, vive eternamente alapado às saias do poder político. Nada o demove dessa superior monomania, que de tão graciosa e visionária o transformou no ungido do bric-a-brac governamental. João Proença, o sindicalista que congelou a ho(n)ra operária, ass(ass)ina tudo de cruz. Não precisa de ler, de sentir, de reflectir, de fazer contas. Abaliza tudo de rajada. Ontem, hoje e amanhã, eis João Proença, o sindicalista das lamentações sindicais. Aquele que não tem alma nem vida própria. Aquele que carrega sempre a caneta para os benignos acordos da "concertação social" e que, no fim, morre sempre, com gosto, às mãos dos seus putativos inimigos. Como um herói de um filme negro, o sindicalista da UGT, prenhe de glamour e um sorriso perpetuamente triunfal, sempre a despontar por debaixo da sua fornecida testa sindical, declara servir "a classe". Esforçadamente! Com zelo de antigo cliente. Daí o tamanho do sorriso conceptual que exibe. Os óculos espirituais que ostenta são, inteligentemente, para despistar o patronato. Há ali folgados exercícios venatórios. Tudo puro intelecto.

Sem estranheza alguma viu-se, o João, assinando "acordos históricos", com o bom do eng. Guterres. Aqueles que garantiam a "sustentabilidade financeira da Segurança Social até ao final do século XXI". E Paulo Pedroso, a pensar no prefácio ao livro de René Passet, "Ilusão Neoliberal" (ed. Terramar), abonava, então, que era "uma reforma que visa melhor protecção social, com um futuro mais sólido, garantido nas condições económicas e sociais previsíveis pelo horizonte de um século e com uma situação positiva de pelo menos 40 anos". Os indígenas choraram de comoção. Desde os tempos imemoráveis em que o glorioso Benfica foi campeão europeu, nunca se tinha visto tamanha euforia.

Há poucos dias, agora com o compadre Sócrates pela mão, o mesmo João presenteou a canalha lusa com novos acordos de sustentabilidade da Segurança Social. Tudo envolto nas encomiásticas frases costumeiras. José Manuel Fernandes, intimo do poder, aplaudiu. Van Zeller marcou almoço no Tavares. E o próprio Medina Carreira pavoneou, imediatamente, dois papers curvados de números e forneceu um triste obituário ao jornal Público. A bravata do João, não poderia ser melhor. Que venha à próxima! Viva o sindicalismo!


"O trabalho não é apenas para produzir obras, é para dar valor ao tempo" [Delacroix]

quarta-feira, 11 de outubro de 2006


"O vinho foi definido como o cavalo do poeta. E efectivamente não se pode negar que na sela desse cavalo, o poeta, se não vai devagar, pelo menos vai longe" [E. de Amicis]

"Eu fui à Serra da Gralheira,
À vindima de meu pai;
O pão lá vai na cesta,
O vinho na cabeça vai!
"

"Melhor que a mulher é o vinho,
Que faz esquecer a mulher;
Que faz dum amor mais velhinho,
Ressurgir novo prazer!"

"Três inimigos tem o segredo: Baco, Vénus e o interesse; o primeiro descobre, o segundo vende, o terceiro arrasta"

"A mulher, o estudo, a experiência e o vinho mudam a natureza do homem"

"Com a vinha, em Outubro, come a cabra, engorda o boi e ganha o dono"

... À saúde dos presentes & ausentes. Boa ceia!

Vindima & lagarada

"De aí a nada, arregaçados, os homens iam esmagando os cachos, num movimento onde havia qualquer coisa de coito, de quente e sensual violação. Doirados, negros, roxos, amarelos, azuis, os bagos eram acenos de olhos lascivos numa cama de amor. E como falos gigantescos, as pernas dos pisadores rasgavam máscula e carinhosamente a virgindade túmida e feminina das uvas. A principio, a pele branca das coxas, lisa e morna, deixava escorrer os salpicos do rosto sem se tingir, Mas com a continuação ia tomando a cor do moreto, do sousão, da tinta carvalha, da touriga, do moscatel, do bastardo, do alvarelhão, da farinhata, da mourisca, conforme as castas ..."

[Miguel Torga, citado por J. Duarte Amaral, in O Grande Livro do Vinho]

Nós hoje acordámos assim ...

"O cortimento uns o fazem desengaçando as uvas, cortindo somente com a baganha. Não tenho isto por desacertado, ainda que custe mais trabalho: a razão é porque, se fazem o cortimento com o engaço, este põe travo o vinho"

[Vicencio Alarte (aliás Silvestre Gomes de Moraes), in "Agricultura das Vinhas", 1712 (aliás, in O Desengace e suas vantagens na vinificação, de Duarte de Oliveira, 1911)]

terça-feira, 10 de outubro de 2006


A Reorganização do PRP no Algarve

Na revista História, do passado mês de Setembro, Artur Barracosa Mendonça apresenta um texto curioso, que é um contributo importante para o estudo e reflexão sobre as "elites algarvias", ligadas ao Partido Republicano, nos tempos idos de 1906. A reunião dos republicanos algarvios, em Portimão, em Junho de 1906, considera o autor, foi "um marco na reorganização do PRP no Algarve", em crise até essa data. Refere que os republicanos, até então, tinham apenas o jornal "O Futuro" (Olhão) como veículo de agitação contra o "regime monárquico". Diz-nos, mesmo assim, que desde o seu início o PRP sempre manteve nas suas fileiras importantes personalidades naturais do Algarve, entre as quais cita: João Bonança, José Manuel Martins Contreiras, José Francisco Azevedo e Silva, José Benevides, José Veríssimo de Almeida (pres. eleito da Câmara Municipal de Lisboa), Tomás Cabreira (deputado, ainda na monarquia) e José Estêvão e Vasconcelos (médico em Vila Real de Santo António, deputado eleito pelo circulo de Setúbal em 1908 e, mais tarde, ministro da I República). Tal peso significa, de facto, que "algumas personalidades da elite cultural e política regional aderiram aos objectivos do republicanismo".

Aponta, ainda, os elementos "mais destacados" na referida reunião de reorganização do PRP, entre os quais: Ernesto Augusto Cabrita e Silva (médico em Portimão), António Fernando Pires Padinha (médico em Tavira), Silvestre Falcão (médico em Tavira), Francisco Marques da Luz (comerciante de Portimão), Joaquim Eugénio Júdice (proprietário em Lagoa), Jacques Pessoa (agrónomo em Olhão e Tavira), Zacarias José Guerreiro (comerciante e industrial em Faro e Tavira) e António Vaz Mascarenhas Júnior (proprietário e industrial de cortiça em S. Bartolomeu de Messines). Refere o impacto dessa reunião na imprensa da época, analisando todo o desenvolvimento dessa actividade e sua posterior implantação na região. A consultar.