
Era um Homem popular entre os vendedores da
Feira da Ladra, um resguardo único para os amantes dos livros usados, um dedicado amigo do seu amigo. Todos os sábados, ignorado o sol ou a chuva, lá estava ele na
Feira da Ladra vendendo velhos e novos alfarrábios, jornais e revistas, livros amarelecidos pelo uso e tempo, papéis pintados de outros homens e mulheres, com energia e sem fadiga, semeando conversas, paixões, generosidades. Em redor da sua carrinha, em tantas manhãs, quantos grupos de
amadores de livros descerraram curiosas conversas, ergueram cânticos a livros perdidos, trocaram palavras de circunstância, enquanto o sr.
Manel, com um sorriso nos lábios alumiava a Feira com o seu pregão matinal.
O
Manel, homem rijo, espontâneo, franco, enérgico, deixou-nos na passada semana. O
Manel da Feira da Ladra, forte e corajoso, não resistiu à presumida benevolência do tempo que tudo esquece. Todos os seus amigos –
que são muitos – irão sempre relembrá-lo. Homens destes, que se cultivam pelo afecto, não ficam esquecidos. O
Manel tinha um lugar especial entre nós, amantes dos livros, e ficará para sempre na nossa memória.
Ao
Manel o nosso profundo respeito. Á família, aos filhos que continuarão a sua obra, o
nosso pesar.